Análise: Flamengo não convence apesar de vitória e inicia era pós-Sampaoli
Por O Globo Domingo, 1 de Outubro de 2023
O resultado era o mais importante para o Flamengo neste momento. E ele aconteceu. Vindo de quatro partidas sem vitórias e da demissão do técnico Jorge Sampaoli, a equipe rubro-negra derrotou o Bahia pelo placar simples (1 a 0) e se recuperou na briga por uma vaga na zona de classificação à Libertadores via Campeonato Brasileiro. Mas certamente não foi o suficiente para empolgar os mais de 46 mil que foram ao Maracanã.
A torcida deu um voto de confiança ao time. Se apenas 12 mil ingressos haviam sido adquiridos até a última quinta-feira, a adesão mais que triplicou após o anúncio da dispensa de Sampaoli. Mas os rubro-negros fizeram questão de deixar claro que apenas a saída do antigo treinador não basta para torná-los satisfeitos.
Antes mesmo de a bola rolar, houve xingamentos ao presidente Rodolfo Landim e ao vice de futebol Marcos Braz e gritos de “time sem vergonha”. Numa das muretas que separam o campo da arquibancada, uma faixa deu o recado de forma direta: “Respeitem a nação”.
O interino Mário Jorge só teve um dia para treinar o time. Com isso, apostou mais na conversa e no ambiente leve entre os atletas pela saída da comissão anterior. Isso ficou claro com a bola rolando.
Não foi uma atuação capaz de gerar expectativas. O Fla dominou o Bahia, é verdade. Teve mais posse de bola (67%) e finalizou mais (15 contra seis). Mas não se pode ignorar que o rubro-negro conta com nomes mais qualificados, jogou com o apoio de seu torcedor e teve um a mais em praticamente todo o segundo tempo (Kanu foi expulso por falta em Gerson, na entrada da área, aos 4 minutos).
O próprio gol só saiu quando o árbitro Savio Pereira Sampaio marcou um pênalti de Gilberto em Bruno Henrique, aos 12 da etapa final. Uma penalidade, por sinal, que passou longe de ser unanimidade. Pedro, que não tem nada a ver com isso, converteu com tranquilidade e garantiu não só o fim do jejum de vitórias do time como o seu particular (ele não balançava as redes há oito partidas).
Dos jogos anteriores para este, o que se pode destacar é a forma como o Flamengo explorou melhor os lados do campo por meio de duplas — Bruno Henrique (mais uma vez o que mais incomodou a zaga rival) e Ayrton Lucas de um lado; Everton Ribeiro e Wesley do outro. Foi pela direita que o time levou mais perigo.
Em compensação, a quantidade de erros deixou o torcedor preocupado. Principalmente na saída de bola, com a dupla de volantes Thiago Maia e Pulgar (que se saiu melhor quando apareceu na frente do que atrás). Fora a transição defensiva lenta, o que ficou exposto pelos buracos durante os contra-ataques do Bahia na reta final da partida.
Na frente, embora encontrasse caminhos, o time pecou no último passe e na finalização. E Gabigol, que entrou aos 20 do segundo tempo, mais uma vez pareceu sem função na engrenagem.
Com o apito final, a nota da torcida para a atuação veio através de músicas pedindo comprometimento e disposição. Com a perspectiva de demora no acerto com Tite, Mário Jorge deve ter uma semana completa para treinar. A ver como o time se sai contra o Corinthians, sábado, em São Paulo.