Análise: Corinthians vence o 1º jogo com assinatura de Sylvinho
Por Globo Esporte Domingo, 26 de Setembro de 2021
Uma vitória em um Dérbi pode mudar histórias dentro do Corinthians. Em 2017, ninguém acreditava em Fábio Carille até o jogo em que o Timão, com um a menos, venceu o Palmeiras por 1 a 0 no Paulistão, com gol de Jô. Um resultado que iniciou a arrancada em ano de título estadual e brasileiro.
O 2 a 1 que o time de Sylvinho obteve na noite de sábado na Neo Química Arena pode ser o "turning point" (um ponto de virada, na tradução) em sua trajetória como treinador do Corinthians.
Em um momento em que a pressão virtual era avassaladora contra seu nome, o técnico recebeu força da diretoria, teve seus resultados valorizados e, com enorme personalidade, nadou contra a maré ao escolher Cantillo como o substituto do suspenso Gabriel. Foi chamado de louco. Mas estava certo.
A vitória do Corinthians diante do Palmeiras foi a oitava de Sylvinho em 24 jogos, mas a primeira com a sua assinatura. Foi um jogo para chamar de seu – dividindo o mérito, claro, com os jogadores, que construíram uma atuação muito consistente, firme e madura contra o bom time do Palmeiras.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2021/5/W/BrGOsbS4uokVUHrSDxUQ/rib9026.jpg)
Sylvinho comemora vitória do Corinthians no Dérbi com Fernando Lázaro — Foto: Marcos Ribolli
Montado no 4-5-1, o Timão jogava num 4-3-3 quando tinha a bola. Cantillo, o primeiro homem da saída, teve Giuliano à sua direita e Renato Augusto à sua esquerda. Todos se doando na marcação, em um jogo de muita entrega, dedicação e passes rápidos. Um meio-campo com fluidez e bastante pegada.
Ao lado de João Victor, Cantillo liderou o número de desarmes da equipe, cada um com cinco. Renato e Fagner tiveram quatro. Foram, ao todo, 25 do Corinthians. O colombiano, como de costume, também foi excelente nos passes: acertou 53 de 55, com 96% de excelência.
Do meio para frente, duas flechas: Willian pela esquerda e Gabriel Pereira pela direita. Rápidos e habilidosos, os dois construíram diversas jogadas na transição ofensiva corintiana, levando muita dificuldade para os laterais Gabriel Menino e Renan. E, além deles, tinha Róger Guedes.
Jogador mais falado no pré-jogo por seu histórico conturbado no Palmeiras, o atacante só não fez chover em Itaquera. No primeiro tempo, marcou o primeiro após a blitz de Renato Augusto e passe de Giuliano. Depois, recebeu de Willian e marcou em posição de impedimento, em gol que foi anulado.
O melhor, porém, ainda estava guardado: nos minutos finais, recebeu de Vitinho em velocidade, deu o corte em Gabriel Menino e chutou no ângulo do gol, sem nenhuma chance para Weverton. Um jogador terminal, que mostrou-se num patamar superior ao de Jô na função de nome mais avançado.
O Corinthians, que teve pela primeira vez seu quarteto de reforços junto em campo, encantou, com um time técnico, solto e rápido no meio. Algo que talvez não sirva para todas as partidas, mas que funcionou bem contra um time que jogou de igual para igual – o rival finalizou 14 vezes.
A vitória tira a pedra da mão do torcedor e, com oito jogos de invencibilidade, dá paz a Sylvinho. O treinador sobe um degrau em sua carreira em um jogo no qual ganhou o respeito de muita gente. Em momento de autodescobrimento, ele passa o recado de que é mais capaz do que muitos imaginam.