Aos 20 min do 1º tempo - cartão vermelho de Carrascal do Flamengo contra o Palmeiras
Por Globo Esporte Terça-Feira, 26 de Maio de 2026
O técnico do Flamengo, Leonardo Jardim, foi denunciado pela Procuradoria do STJD por "grave desrespeito" ao árbitro Davi de Oliveira Lacerda. As declarações que viraram alvo do tribunal foram proferidas na coletiva de imprensa após a derrota por 3 a 0 para o Palmeiras, no último sábado no Maracanã, pela 17ª rodada do Campeonato Brasileiro.
— O técnico afirmou que "é muito fácil dar cartões vermelhos ao Flamengo", que não percebia os critérios adotados pela arbitragem, realizando, outrossim, uma comparação entre os aproveitamentos de Flamengo e Palmeiras sob o comando do referido árbitro, concluindo com a afirmação de que o juiz "apita sempre para a mesma cor". Essas falas atacam diretamente a honra, a imparcialidade e a integridade da arbitragem e da própria competição. Ao sugerir de forma pública e deliberada que o árbitro atua com direcionamento decisório e parcialidade em favor de uma determinada agremiação desportiva, o treinador deslegitima a autoridade do juiz e coloca sob suspeita a lisura do Campeonato Brasileiro de 2026 — afirmou o subprocurador Eduardo Ximenes, que completou:
— Conforme pacificado na jurisprudência deste Tribunal Pleno, a liberdade de expressão e o direito à crítica técnica não são absolutos e encontram limites éticos e jurídicos claro. Declarações que imputam desonestidade, parcialidade ou submissão da arbitragem a cores clubísticas não se inserem no desabafo técnico, mas configuram grave desrespeito à equipe de arbitragem. O impacto de tais declarações por um técnico de grande visibilidade nacional reverbera em escala sistêmica, insuflando a torcida e gerando um clima de desconfiança que prejudica o desenvolvimento do desporto.
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Leonardo Jardim | Flamengo x Vasco — Foto: Thiago Ribeiro/AGIF
O treinador português foi enquadrado no artigo 258 do CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva), que fala em "assumir qualquer conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva" e prevê pena de suspensão de uma a seis partidas. O julgamento ainda não tem data para acontecer e será marcado pelo STJD.
Toda expulsão em competições organizadas pela CBF automaticamente entra na pauta do STJD para julgamento. Logo, Carrascal será julgado pela terceira vez esse ano e foi enquadrado no artigo 254 inciso II do CBJD, que fala em "praticar jogada violenta por atuação temerária ou imprudente" e prevê pena de uma a seis partidas. Mas a Procuradoria pediu uma punição "acima do mínimo legal" por reincidência do meia colombiano, que pegou gancho de quatro jogos somando as duas últimas suspensões.
Aos 20 min do 1º tempo - cartão vermelho de Carrascal do Flamengo contra o Palmeiras
— O uso da sola da chuteira — parte rígida dotada de cravos de metal ou plástico — contra a região facial de um oponente ultrapassa qualquer limite do risco ordinário tolerado em uma partida de futebol. Trata-se de uma ação com força física totalmente incompatível com o padrão de disputa esperado, expondo a integridade física do zagueiro adversário a um perigo concreto de lesão grave. Inclusive, a equipe do Palmeiras divulgou imagem do atleta Murilo após a jogada violenta, revelando uma cicatriz no rosto do jogador.
— No tocante à dosimetria da pena, esta Procuradoria requer a fixação da sanção acima do mínimo legal, sugerindo-se o patamar de 4 (quatro) a 6 (seis) partidas de suspensão. (...) A ficha disciplinar de Jorge Andrés Carrascal Guardo demonstra um padrão comportamental de indisciplina. Esse histórico revela que o efeito preventivo e pedagógico das primeiras sanções disciplinares não produziu o resultado esperado no comportamento do atleta. Quando as sanções em sua gradação moderada falham em sua função de prevenção especial negativa, a escalada da penalidade para os patamares superiores é a única resposta sistemática coerente para resguardar a integridade física dos participantes e a estabilidade da competição.
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Entrada de Carrascal em Murilo no Flamengo x Palmeiras — Foto: Mateus Dutra / AGIF
Além disso, o Flamengo também foi denunciado por arremesso de copos de sua torcida para o campo, na comemoração do primeiro e do terceiro gol do Palmeiras, e por invasão de campo de seguranças particulares contratados e membros do estafe não credenciados para estarem no local no momento da confusão no fim do jogo. O clube corre risco de multa e perda de mando de campo.