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Análise: vitória no consolidado 4-3-3 reforça que Flamengo terá variação

Por Globo Esporte    Domingo, 11 de Fevereiro de 2024


O torcedor mais impaciente afirmará que o placar de 3 a 0 sobre o Volta Redonda, no sábado de Carnaval, foi muito pouco para o Flamengo. O menos apressado poderá enxergar de outra forma: o consolidado 4-3-3 deu certo e a coletiva de Tite, aberta com a palavra "tempo", trouxe a certeza de que ele insistirá no 4-1-4-1.

Ou seja, o gaúcho de 62 anos deu garantias de que o Flamengo terá variação de repertório. A disposição tática com pontas está memorizada pelos atletas e servirá de alternativa para mudar a cara de algumas partidas. O novo sistema com a presença de um "flutuador" - leia-se Nico de La Cruz - ainda demanda tempo para ser executado à plenitude, mas é a prioridade para a temporada.

 

Símbolo do 4-3-3 neste sábado conduz o Fla

 

Frente a um rival que também se propôs a jogar e não somente a se trancar na defesa, o Flamengo entrou em campo com um "De la Cruz à la Arrascaeta", próximo ao atacante de referência e mais centralizado. E com um incansável Luiz Araújo, figura máxima do jogo.

 

Luiz Araújo sobrou em campo pelo Flamengo contra o Volta Redonda — Foto: Marcelo Cortes/Flamengo

Luiz Araújo sobrou em campo pelo Flamengo contra o Volta Redonda — Foto: Marcelo Cortes/Flamengo

Símbolo do consolidado sistema com pontas, Luiz protagonizou todos os lances de perigo do Flamengo no primeiro tempo. Ele é quem rouba a bola que termina em finalização fraquinha de Gabigol. Do pé esquerdo dele, sai um belo drible em Sanchez e um toque de três dedos para o mesmo Gabriel abrir o placar. Não satisfeito, ele ainda cruzaria mais uma na direção do 10, que bateria, com a direita, nas mãos do goleiro.

As análises do ge não se propõem a descrever lances, mas seria injusto com o cara do jogo não detalhá-las. O placar do primeiro tempo não foi mais elástico por conta de erros técnicos e falta de confiança. Não tem nada a ver com pouca produção ou um suposto domínio falso.

Wesley, por exemplo, abusou dos erros em tomadas de decisão. O próprio Gabigol ainda evitou partir para o um contra um e cometeu equívocos que são típicos de quem ainda está sem confiança, mas o gol com um toque de qualidade deve ajudá-lo a ganhar mais minutos. Pedro é o titular de Tite, porém o camisa 10 tem conseguido encontrar espaços para finalizar e marcar.

Falamos e - falaremos - pouco de De la Cruz, mas o pouco - desculpe pela redundância - que ele fez foi significativo novamente. Mexeu-se como sempre, escondeu a bola e deu bons passes.

 

Confiança distribuída

 

A escalação de uma equipe mista foi importante também para distribuir confiança a outras peças importantes do elenco. Depois de alguns jogos ruins, Ayrton Lucas, ciente de que Viña chega com status de titular, reagiu bem. Não apenas pelo gol.

Houve química com Bruno Henrique. Se no ano passado muitos argumentavam que um tirava o espaço do outro, neste sábado os dois se entenderam bem. BH ainda não foi aquele jogador letal, de presença marcante no jogo aéreo e finalizações constantes, mas deu opção a toda hora. E melhor: movimentou-se de forma que Ayrton aparecesse como opção a todo instante.

Tabelaram no início do segundo tempo e por pouco o camisa 6 não marcou. No fim do jogo, em jogada parecida, Ayrton iniciou a jogada pela lateral, tabelou com Arrascaeta, e atacou por dentro para fechar o placar.

O passe vertical de David Luiz apareceu. É zagueiro que constrói jogo. No início do segundo tempo, deu ótima bola para Gabigol, que não aproveitou e caiu na entrada da área. No primeiro tempo, já tinha encaixado outra bola interessante. Defensivamente, fez boa dupla com o titularíssimo Fabrício Bruno.

Depois de um 2023 marcado por lesões em Galo e Flamengo, Allan ainda reage devagar, mas já mostrou que também é capaz de quebrar linhas com seus passes na direção do gol. Ainda no primeiro tempo, deixou Gabigol em excelentes condições, mas o camisa 10 optou por não tentar o um contra um e acabou errando passe simples para Bruno Henrique. No combate, não apresentou problemas.

Dos reservas que iniciaram neste sábado, além do já citado Wesley, Victor Hugo também não aproveitou a oportunidade. Tite, porém, fez um mea-culpa e disse que o escalou erradamente. Em entrevista coletiva, desculpou-se com o jogador e sua família. Disse que o prejudicou.

 

Titulares garantem a folia rubro-negra

 

Se o Flamengo dominava, mas não matava com a escalação inicial, as entradas de Pulgar, Gerson e Arrascaeta tiraram qualquer chance do Volta Redonda. Os dois últimos estavam inspirados, e o uruguaio decidiu a parada ao sofrer pênalti e dar a assistência para Ayrton.

Pedro, que saíra vaiado da vitória por 1 a 0 sobre o Botafogo, também teve sua chance de recuperar confiança. Bateu o pênalti fraquinho e, após Paulo Henrique se adiantar e pegar, foi cobrado pela torcida com os gritos de "queremos respeito e comprometimento".

Sorte dele é que o puxão de orelhas da arquibancada veio antes da segunda cobrança, já que o árbitro mandara voltar devido à infração do goleiro do Volta Redonda. O camisa 9 não desperdiçou a chance, encheu o pé e cerrou os punhos para vibrar muito.

Pedro comemora com raiva o gol contra o Volta Redonda — Foto: Marcelo Cortes/Flamengo

Pedro comemora com raiva o gol contra o Volta Redonda — Foto: Marcelo Cortes/Flamengo

 

Pedido de paciência

Flamengo funcionou no 4-3-3, finalizou 20 vezes e só não goleou o time de Felipe Maestro porque esbarrou em erros individuais e também em defesas do goleiro adversário. Apesar de o sistema ser mais cômodo no momento, já que fora escolhido para as 12 partidas de Tite em 2023, o comandante não optará pela via mais fácil e confortável. Vai insistir pela excelência com o meio-campo mais técnico possível. Pulgar, Gerson, De la Cruz e Arrascaeta o formam no 4-1-4-1.

- Em termos táticos, a equipe está ajustada com externos. Desde o ano passado a gente ajustou, e ela está coordenada. Precisa de tempo para coordenar com o flutuador, com o articulador. Ou vocês acham que em outras equipes em que eu tinha articulador do lado direito, fiz assim (estalo) e começou a jogar na hora? Precisa de tempo para ajustar a flutuação. Uma (formação com pontas) já tem dominada a outra (com articuladores) precisa de tempo para ser ajustada

Paciência não é o forte do rubro-negro, principalmente depois do protagonismo reassumido a partir de 2019 e do que não conquistou em 2023. Mas, apesar de alguns tropeços, é preciso destacar: o Flamengo, já com dois clássicos nas costas, sofreu apenas um gol na competição. E mais: tirado o asterisco da tabela e com mesmo número de jogos que os concorrentes, assumiu o segundo lugar e depende apenas de si para terminar a Taça Guanabara no primeiro lugar.

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