Flagrante de policial de muletas expõe realidade das polícias da Paraíba que lutam por melhores salários
Por Top Mix Segunda-Feira, 9 de Fevereiro de 2026
Uma imagem forte vinda do Sertão paraibano acendeu o alerta sobre a precariedade vivida pelos profissionais da Segurança Pública no estado. Em Catolé do Rocha, um policial civil — que já possui tempo de serviço para se aposentar — foi flagrado chegando à delegacia de muletas para cumprir seu expediente. O caso expõe uma realidade amarga: a necessidade de complementar a renda para sobreviver, mesmo diante de limitações físicas e idade avançada.
O Contraste da "Melhor Polícia" com o "Pior Salário"
Apesar de ser eleita por anos consecutivos como a melhor Polícia Civil do Norte-Nordeste em termos de eficiência, a categoria denuncia que recebe, atualmente, o pior salário do Brasil entre todas as polícias.
A disparidade interna também gera indignação: hoje, um soldado em início de carreira recebe vencimentos superiores aos de um Investigador ou Escrivão, cargos que exigem nível superior.
Mobilização e Impasse com o Governo
Na última sexta-feira (06), o clima de insatisfação transbordou. Representantes da Polícia Civil, Militar, Penal, Bombeiros e agentes socioeducativos realizaram um protesto em frente à Granja do Governador. Até o momento, o Poder Executivo não se manifestou.

A categoria aponta um tratamento desigual por parte do Estado:
Delegados: Contemplados em dezembro com um aumento de R$ 10.000,00 via acordo judicial.
Classe Investigativa: Possui ação judicial semelhante, mas a Procuradoria Geral do Estado (PGE) ainda não sinalizou qualquer proposta de acordo, mantendo o impasse.
Estado à Beira do Apagão: 1º de Março
Como forma de protesto contra o que chamam de "escárnio", a Aspol (Associação dos Policiais Civis da Paraíba) confirmou medidas drásticas a partir de março:
1.Entrega de Plantões Extras: Sem o efetivo que se dispõe a dobrar a carga horária por necessidade financeira, a maioria das delegacias do estado deve fechar as portas.
2.Operação "Polícia Legal": Os profissionais atuarão estritamente dentro de suas atribuições e não receberão ocorrências sem a presença física da Autoridade Policial (Delegado).
"É uma vergonha que um profissional que dedicou a vida à sociedade precise trabalhar ferido e cansado porque o salário não provê o sustento básico", afirma a entidade.