Flávio Bolsonaro muda o tom e envia carta a Rubio pedindo para evitar taxação
Por Brasil 247 Terça-Feira, 2 de Junho de 2026
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta terça-feira (2) que enviou uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pedindo para que o governo norte-americano não aplique novas tarifas sobre produtos brasileiros.
O documento foi encaminhado após a reunião que ambos tiveram na última semana, durante agenda realizada nos Estados Unidos. Na mesma viagem, Flávio Bolsonaro também se encontrou com o presidente norte-americano, Donald Trump, e com o vice-presidente JD Vance.
Após os encontros, o governo dos Estados Unidos decidiu classificar as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A medida foi celebrada por Flávio Bolsonaro e seus aliados.
Além disso, autoridades norte-americanas passaram a analisar a possibilidade de impor tarifas de 25% sobre determinados produtos brasileiros.
Na carta, Flávio Bolsonaro argumenta que uma eventual medida tarifária teria efeitos negativos para a população brasileira, diante de uma situação econômica que ele classificou como adversa. "A imposição de novas tarifas causaria sérios danos ao povo brasileiro", afirma o senador no documento.
O parlamentar também destacou que já havia tratado do tema diretamente com o secretário de Estado durante o encontro realizado na semana passada. "Escrevo para reiterar formalmente o pedido que lhe fiz pessoalmente: que os Estados Unidos não imponham tarifas ao Brasil", acrescenta.
A manifestação ocorre em meio ao aumento das tensões comerciais entre Brasília e Washington. Mais cedo, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) divulgou uma recomendação propondo a aplicação de tarifas adicionais de 25% sobre determinados produtos brasileiros. O órgão também apresentou questionamentos a políticas brasileiras em áreas como meios de pagamento digitais, regulação de plataformas tecnológicas, propriedade intelectual e comércio exterior.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu à iniciativa classificando a proposta como injustificada e defendendo a continuidade do diálogo diplomático.
Leia a íntegra da carta:
"Prezado Secretário Rubio,
Escrevo, em primeiro lugar, para agradecer a cordialidade com que fui recebido durante minha recente visita a Washington. Nossa conversa reforçou minha convicção de que a amizade entre nossas duas nações se baseia em valores compartilhados e em uma visão comum para a segurança e a prosperidade do Hemisfério Ocidental.
Sou especialmente grato por sua decisão de designar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. Essas duas facções estão entre os empreendimentos criminosos mais violentos do Brasil, e suas redes de drogas, armas e dinheiro se estendem muito além de nossas fronteiras — inclusive para o seu país. A ampla maioria do povo brasileiro comemorou essa medida, mesmo que ela não tenha agradado ao governo atual. Trata-se de um passo decisivo para proteger cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério compartilhado.
Escrevo também, porém, com preocupação em relação à recente determinação da Seção 301 anunciada pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos. Embora eu compreenda que nenhuma tarifa tenha sido imposta até o momento — e que a decisão apenas tenha aberto um processo de consulta pública e etapas técnicas que levarão a um prazo legal em julho — acredito ser meu dever compartilhar com o senhor as reais condições econômicas enfrentadas pelo povo brasileiro neste momento.
O Brasil vive uma grave deterioração fiscal e econômica. Nossa dívida bruta do governo geral já ultrapassou 80% do PIB pela primeira vez desde a pandemia, alcançando R$ 10,4 trilhões em abril, e as projeções de mercado apontam que ela chegará a um recorde de 83,7% do PIB até o fim do ano. As contas públicas continuam registrando déficit primário, enquanto os pagamentos de juros da dívida atingiram níveis recordes.
O peso sobre as famílias é ainda mais alarmante: um recorde de 81,7 milhões de brasileiros está inadimplente — quase metade da população adulta — e os compromissos com dívidas consomem uma parcela sem precedentes da renda familiar. Do lado das empresas, os pedidos de recuperação judicial — equivalente brasileiro ao Chapter 11 dos Estados Unidos — dispararam para o recorde histórico de 2.466 companhias em 2025, enquanto 8,7 milhões de contribuintes empresariais estavam inadimplentes no início de 2026. Todos esses números representam recordes históricos.
Diante desse cenário, a imposição de novas tarifas causaria sérios danos ao povo brasileiro — justamente os cidadãos que veem os Estados Unidos como um parceiro e um amigo. Por isso, escrevo para reiterar formalmente o pedido que lhe fiz pessoalmente: que os Estados Unidos não imponham tarifas ao Brasil.
Como já afirmei, estou confiante de que serei eleito presidente do Brasil em outubro. Caso essa seja a vontade do meu povo, estou preparado para colocar imediatamente minha equipe de transição à disposição de seu governo, para que possamos concluir, o mais rapidamente possível, um amplo acordo de comércio e investimentos benéfico para ambas as nações — baseado em livre mercado, respeito mútuo e na aliança estratégica que nossos povos merecem.
Permaneço inteiramente à disposição e espero aprofundar a amizade entre o Brasil e os Estados Unidos.
Que Deus abençoe a América, e que Deus abençoe o Brasil.
Atenciosamente,
Flávio Bolsonaro
Senador da República Federativa do Brasil."