Acusado pela morte de Arlanza em Patos aguarda julgamento um ano após o crime
Por Pabhlo Notícias Segunda-Feira, 23 de Fevereiro de 2026
Passado um ano do feminicídio que chocou a cidade de Patos, no Sertão da Paraíba, a família da farmacêutica Arlanza Jéssica dos Santos Ramalho, de 34 anos, segue sem a certeza de justiça e sem a realização do julgamento do acusado pelo crime.
Arlanza foi assassinada no dia 21 de fevereiro de 2025, dentro do próprio apartamento, localizado na Rua Arnaldo Assis de Medeiros, no bairro Novo Horizonte. O caso causou grande repercussão, pela forma violenta como ocorreu e pelas circunstâncias envolvendo o então companheiro da vítima.
O principal suspeito é Lúcio Ramay Oliveira Freitas, de 44 anos, sargento reformado do Exército, que foi preso no dia seguinte ao crime, na zona rural do município de Santa Luzia, às margens da BR-230. Ele conduzia o veículo da vítima quando foi localizado.
Como o caso foi descoberto
De acordo com informações apuradas à época, a Polícia Militar foi acionada após o suspeito procurar ajuda em um posto de combustíveis, afirmando ter sido vítima de sequestro. A versão, no entanto, levantou suspeitas nos policiais.
Durante a abordagem, os militares perceberam vestígios de sangue nas mãos do homem e inconsistências no relato apresentado. Diante da situação, as equipes se deslocaram até o apartamento da farmacêutica, onde encontraram Arlanza Jéssica já sem vida, com perfurações provocadas por tesouras e coberta com lençóis.
O local foi isolado para os procedimentos de perícia, e o caso passou a ser investigado como feminicídio.
Prisão e andamento do processo
Após ser detido, o investigado passou por audiência de custódia, quando teve a prisão mantida pela Justiça. Por se tratar de militar reformado do Exército, ele foi transferido há pouco tempo de um batalhão do Recife para um batalhão em João Pessoa, onde permanece preso sob custódia militar.
No curso do processo, o réu foi pronunciado para ser submetido ao Tribunal do Júri, etapa em que a Justiça entende haver indícios suficientes de autoria e materialidade para que o caso seja julgado por jurados populares.
A defesa apresentou recurso contra a decisão de pronúncia, alegando, entre outros pontos, possível cerceamento de defesa e questionamentos sobre a sanidade mental do acusado. O recurso ainda aguarda análise do Tribunal de Justiça da Paraíba.
Dor que permanece
Em nota encaminhada ao jornalista Pabhlo Rhuan, familiares de Arlanza afirmaram que, mesmo após um ano, a dor da perda permanece intensa e que a principal expectativa é pela realização do julgamento.
Segundo a família, a demora no desfecho judicial prolonga o sofrimento e mantém aberta a ferida deixada pelo crime.
“A família acompanha essa fase com apreensão. Já se passou um ano desde a tragédia, e naturalmente existe a expectativa de que o processo avance para o julgamento pelo Júri Popular. Ao mesmo tempo, há o respeito pelos trâmites legais e pelo devido processo. Acredita-se que a decisão de primeiro grau será mantida e que o réu será levado a julgamento por jurados da comunidade civil, como prevê a Constituição nos crimes dolosos contra a vida.
O sofrimento causado por essa tragédia é permanente. A mãe nunca mais foi a mesma. O pai carrega uma dor silenciosa que se revela no dia a dia. Os irmãos convivem com a ausência que se faz presente em cada lembrança. A família, como um todo, foi profundamente marcada por esse crime. Não se trata apenas da perda de uma vida, mas da ruptura de sonhos, planos e de toda uma estrutura familiar.
Em meio a tudo isso, o que sustenta a família é a confiança na Justiça. Não há decisão que traga ARLANZA JÉSSICA de volta. Mas há a esperança de que a responsabilização ocorra, de que o julgamento seja realizado e de que a sociedade, por meio do Júri Popular, dê a resposta que esse caso exige.”
Até o momento, não há data definida para o julgamento pelo Tribunal do Júri. O processo segue em tramitação no Judiciário paraibano e depende da análise do recurso apresentado pela defesa.
Enquanto isso, familiares e amigos da farmacêutica seguem aguardando os próximos passos da Justiça, na esperança de que o caso tenha um desfecho definitivo.