Presidente Lula diz que caso Master é orgia pura e que Flávio Bolsonaro está nervosinho com celular de Vorcaro
Por Brasil 247 Quarta-Feira, 16 de Setembro de 2026
O presidente Lula (PT) afirmou, nesta quarta-feira (16), que as revelações do escândalo envolvendo o Banco Master configuram “orgia pura” e declarou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) demonstra nervosismo diante das investigações sobre as informações armazenadas no aparelho celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Durante entrevista concedida ao canal no YouTube Desce a Letra Show, o chefe do Executivo ressaltou a necessidade de apuração rigorosa sobre o caso, além de defender a realização de reformas estruturais no Poder Judiciário e no sistema político brasileiro.
Ao comentar o andamento dos trabalhos de perícia nos dados do empresário, Lula enfatizou que o material sob análise de integrantes da Suprema Corte trará à tona a dimensão real do envolvimento de agentes públicos nas irregularidades investigadas. “Acho que o que está acontecendo na Suprema Corte não é uma coisa boa, porque significa que aquele mafioso chamado Vorcaro envolveu todo mundo. Ele envolveu todo mundo. Agora, que o celular dele está nas mãos de oito ministros, do Zanin, do Gilmar, do companheiro Flávio Dino… Agora a gente vai saber quem é que estava com mulher, quem foi fazer suruba… Foi isso que aconteceu: orgia pura. Está todo mundo na expectativa. Tem gente famosa que era o gerenciador, que era o cafetão da turma. Tudo isso vai aparecer agora”, pontuou o presidente.
Lula reafirmou que o fortalecimento das instituições exige a responsabilização de envolvidos em eventuais ilícitos, com garantia de direito de defesa, sem tratamento privilegiado a autoridades. “E é importante que apareça para a gente poder limpar esse país. A Suprema Corte não pode ter sua vida manchada. Ela é a instância máxima de poder nesse país. Quando ela toma uma decisão ninguém pode mudar. Então é importante que se apure, dê direito de defesa às pessoas, a presunção de inocência tem que ser para todo mundo. Mas é preciso apurar. Ninguém está acima da lei. Nem eu, nem o Fachin e nem nenhum ministro da Suprema Corte”, declarou.
Responsabilidade sobre a instituição financeira
O presidente refutou tentativas de associar sua gestão à crise gerada pelo Banco Master, ressaltando que a instituição operava sob regras estabelecidas durante o governo Jair Bolsonaro (PL) e sob a condução do antigo comando do Banco Central. “Agora, o que não dá é para a sociedade ficar assistindo a esse denuncismo: ‘fulano pegou não sei quantos milhões’, ‘o filho de não sei quem’, ‘o pai de não sei quem’, ‘a mãe de não sei quem’. E a sociedade atônita ouvindo tudo isso todo santo dia? Então o presidente Fachin tem a responsabilidade de não permitir que isso atrapalhe o processo eleitoral. Porque as pessoas que criaram o banco do Vorcaro foram eles. O Banco Master foi eles que criaram. E foi criado quando o Roberto Campos Neto era presidente do Banco Central, indicado por ele [Jair Bolsonaro]”, afirmou.
O chefe do governo federal destacou que a liquidação das operações e as prisões decorrentes das apurações foram efetuadas no atual mandato. “Quem acabou [com o Banco Master] fomos nós. Nós acabamos com o Banco Master. Nós prendemos o banqueiro deles, porque era um ladrão e deu um golpe de R$ 60 bilhões nesse país. Agora a gente tem que apurar com muita seriedade. Quem tem culpa tem que pagar”, cobrou.
Críticas a Flávio Bolsonaro e defesa de Alexandre de Moraes
Lula direcionou críticas diretas ao senador Flávio Bolsonaro, relacionando o comportamento do parlamentar ao avanço do processo de perícia e à divulgação de ligações financeiras e pessoais com o dono do banco. “Por isso que o Flávio [Bolsonaro] está nervosinho, porque vão aparecer todas as falcatruas dele com o Vorcaro, o churrasco, as bebidas, as mulheres, e os R$ 130 milhões que ele pegou do Vorcaro para financiar o filme do pai”, ressaltou.
Apesar das críticas sobre o cenário atual do Judiciário, o presidente reiterou seu reconhecimento ao trabalho do ministro Alexandre de Moraes na condução de processos em defesa das regras democráticas. “Aquele debate ontem na televisão, eu assisti uma parte, não é correto. Eu continuo admirando as pessoas que trabalham, acho que o Alexandre de Moraes fez um trabalho extraordinário para garantir a democracia no Brasil prendendo o Bolsonaro e os golpistas”, acrescentou.
Reformas no Judiciário e no sistema político
Diante dos episódios relatados, Lula defendeu a abertura de discussões sobre mudanças no funcionamento dos tribunais superiores e no sistema partidário do país. “E vamos fazer uma reforma no Judiciário. A partir de agora acho que é inevitável, não tem como não discutir isso. Não é uma coisa feita de forma precipitada, mas a gente precisa começar a pensar a fazer reformas nas instâncias do Judiciário, porque tem muita queixa e a imagem não está boa”, defendeu.
O presidente concluiu ressaltando a urgência de transformações no ambiente institucional brasileiro diante do agravamento das práticas políticas. “Eu só peço isso. Eu estou indignado porque a sociedade brasileira não merece isso. Estou confiante de que vamos encontrar uma saída, apurar, punir quem tiver que punir e começar a discutir uma reforma no Judiciário, que tem que ser acompanhada de uma reforma na política também. Porque a política também está muito apodrecida no Brasil. Quem está falando é um cara que já foi presidente três vezes. A política está apodrecida. Eu voltei 15 anos depois e a política está bem pior do que estava”, declarou.
Vigilância contra investidas antidemocráticas
No início de sua manifestação, o presidente tratou das articulações da extrema-direita e garantiu vigilância permanente do governo federal. “Eu estou convencido de que a extrema-direita sempre vai pensar e trabalhar na perspectiva de dar um golpe. Queria dizer para vocês que não há perspectiva, porque nós estamos atentos para evitar isso e fortalecer o regime democrático nesse país”, assegurou Lula.