Cid cita 'ordem' de Bolsonaro para falsificar cartão de vacina na delação
Por O Globo Quarta-Feira, 19 de Fevereiro de 2025
O tenente-coronel Mauro Cid afirmou, em acordo de delação premiada, que recebeu uma "ordem" do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para falsificar os cartões de vacina dele e de sua filha, e que entregou o documento "em mãos" a Bolsonaro. Na época dos fatos narrados, Cid era ajudante de ordens do então presidente.
"Confirma (que) recebeu a ordem do ex-presidente da República, Jair Bolsonaro, para fazer as inserções dos dados falsos no nome dele e da filha Laura Bolsonaro; que esses certificados foram impressos e entregue em mãos ao presidente", diz o termo do depoimento.
Segundo Cid, "o objetivo era ter o cartão falso para uma necessidade qualquer; que uma dessas necessidades seriam as viagens". No fim de 2022, Bolsonaro viajou para os Estados Unidos, que na época exigia a comprovação de vacinação para entrada no país.
O sigilo do acordo de delação foi retirado nesta quarta-feira pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribuna Federal (STF), responsável por homologar o acordo.
No ano passado, a Polícia Federal (PF) indiciou Bolsonaro, Cid e outras 15 pessoas pela suspeita de um esquema de fraude em cartões de vacina. A Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda não decidiu se apresenta uma denúncia sobre este caso.
Na terça-feira, a PGR apresentou uma denúncia contra Bolsonaro, Cid e outras 32 pessoas, mas relacionada a outra investigação, sobre uma suposta tentativa de golpe de Estado.