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Morte Digital: Bolsonaro perde seguidores e vê suas redes em esvaziamento

Por Brasil 247   Segunda-Feira, 8 de Junho de 2026

Bolsonaro perde seguidores nas redes sociais após meses sem publicar por decisão judicial, em um movimento descrito por aliados como “morte digital” e que marca uma mudança no comportamento de parte do público que acompanhava o ex-presidente nas plataformas digitais.

Segundo a Veja, Jair Bolsonaro não publica mensagens desde 17 de julho do ano passado, em razão de decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Apesar disso, seus perfis permaneceram abertos, permitindo interações, curtidas e acesso a publicações antigas.

Nos últimos meses, porém, os perfis do ex-presidente passaram a registrar perda de público. De acordo com o levantamento citado pela revista, ao menos 800 mil internautas deixaram de seguir Bolsonaro nas redes sociais desde o fim do ano passado.

Em novembro, Bolsonaro acumulava 68,5 milhões de seguidores somando Instagram, X, Facebook, YouTube e TikTok. O número caiu para 67,7 milhões, indicando retração relevante em sua presença digital mesmo com os perfis ainda disponíveis para visualização.

A queda ocorre depois de um período em que o ex-presidente, mesmo preso, condenado e com as redes bloqueadas pela Justiça, ainda conseguia ampliar sua audiência online. A manutenção dos perfis abertos fazia com que conteúdos antigos continuassem circulando e recebendo engajamento.

O fenômeno vem sendo interpretado por políticos e influenciadores como um processo de esvaziamento digital. No ano passado, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou a restrição imposta a Bolsonaro como uma forma de “morte digital”.

“Com a proibição, o ex-presidente desaparece, some. Afinal de contas quem não está nas redes sociais não está no mundo. É uma maneira de apagar as pessoas”, afirmou Nikolas Ferreira, em declaração citada pela revista.

Pesquisadores buscam explicações para a mudança no comportamento dos seguidores do ex-presidente. Para a antropóloga Letícia Cesarino, da Universidade Federal de Santa Catarina, a condenação de Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado ajuda a explicar a perda de dinamismo de seus perfis, hoje praticamente inativos.

Outro fator citado pela antropóloga é o episódio envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro. O filho mais velho do ex-presidente apareceu em um áudio pedindo dinheiro a Vorcaro para financiar uma cinebiografia sobre o pai, caso que teria contribuído para o afastamento de parte dos apoiadores.

Com Bolsonaro impedido de publicar, as referências ao ex-presidente nas redes sociais têm sido sustentadas principalmente por seus filhos. O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), que pretende disputar uma vaga ao Senado por Santa Catarina, publicou recentemente uma mensagem contra o encarceramento do pai.

A retração no número de seguidores ocorre em um momento de reorganização do campo bolsonarista e de disputa pela manutenção da influência política do ex-presidente. Sem novas publicações em seus próprios perfis, Bolsonaro depende cada vez mais da atuação de aliados e familiares para manter presença no debate público digital.

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