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Fiocruz: nº de mortes por Covid é 18,2% maior do que oficial

Por Valor   Quarta-Feira, 25 de Agosto de 2021

O número real de mortes por covid-19 no ano passado no Brasil é 18,2% maior do que o registro oficial, conclui um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que aponta atrasos nos registros e reclassificações das causas de óbito. O levantamento afirma que a doença provocou 230.452 mortes em 2020, não 194.949.

Os pesquisadores apuraram ainda que, naquele ano, houve maior concentração de mortos por covid-19 entre trabalhadores essenciais e idosos – três de cada quatro mortes foram de pessoas acima de 60 anos.

Não informe da Fiocruz sobre o tema, o coordenador do estudo, Cristiano Boccolini, explicou que os dados divulgados anteriormente pelo Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde não foram errados.

O que ocorreu é que há discrepância entre os números reais e oficialmente registrados causa por dois fatores: atrasos nos registros e reclassificações das causas de morte decorrentes das investigações nas esferas municipal, estadual e federal.

Com a passar do tempo, os dados foram revisados por pesquisadores da Fiocruz, uma análise mais precisa do que ocorreu em 2020. Os números mais atualizados sobre o tema estão acessíveis desde maio deste ano e foram trabalhados por especialistas desde então.

Boccolini pontuou que os dados do SIM são uma grande base de informação, mas tem com um longo tempo de processamento. "Em média, são 27 dias entre os dados do óbito e sua consolidação no sistema nacional, e esse desmoral pode chegar aos 190 dias. Por isso, só conseguiu ter um cenário completo de 2020 agora em 2021", informou o pesquisador.

"Estamos olhando para esse cenário com atenção e encontrando informações muito importantes. Esperamos que as conclusões possam contribuir com políticas públicas para o enfrentamento da pandemia", concluiu.

A pesquisa também levantou que profissões tiveram mais registros de óbitos por covid-19. Em 2020, foram os setores de produção de bens e serviços industriais (22%), o comércio (19%) e a agropecuária, que inclui atividades florestais e a pesca (18%). Os médicos, por sua vez, somaram 2% do total de mortes por covid-19 em 2020.

Boccolini fez uma ressalva: esses resultados representam uma base de dados pesquisados em que 58,7% das declarações de óbito não registraram o tipo de ocupação. Entretanto, no entendimento do pesquisador, já é possível tirar conclusões.

"Percebemos que as categorias profissionais mais afetadas são os chamados serviços essenciais, trabalhadores que não podem parar, aderir ao home office e manter o isolamento social, o que escancara o peso das desigualdades sociais no cenário do covid-19", aponta.

O estudo faz também um recorte por idade nos registros de óbitos. No ano passado, ocorreram 1.207 mortes de brasileiros menores de 18 anos por covid-19. Quase metade (45%) tinha até dois anos de idade; um terço, até um ano; e 9% eram recém-nascidos (110 bebês com menos de 28 dias de vida).

No caso dos idosos, a Fiocruz apurou que, no ano passado, três em cada quatro óbitos por covid-19 ocorreram em pessoas com mais de 60 anos de idade (175.471 idosos).

Nesse grupo, a faixa etária mais afetada foi de 70 a 79 anos, que concentrou 33% dos óbitos de idosos por covid-19 em 2020. O estudo aponta que, do total de idosos mortos pela doença em 2020, 29% teve entre 60 e 69 anos; 27%, de 80 a 89 anos; e 11%, mais de 90 anos.

Os resultados do estudo, financiado pelo Programa Fiocruz de Fomento à Inovação (Inova Fiocruz), serão publicados no painel Monitora Covid-19 da Fiocruz, informou a fundação.

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