
Por G1 Paraíba Sexta-Feira, 21 de Maio de 2021
Aumento na procura por tratamento da Covid-19, crescimento na ocupação de leitos e alta taxa de transmissibilidade pelo novo coronavírus. Esta é a situação da Paraíba após mais de um ano do início da pandemia. Além disso, os paraibanos também têm que conviver com o impacto de vidas interrompidas. O estado registrou até o dia 21 de maio de 2021 mais mortes provocadas pela doença do que em todo 2020 (leia mais para ver o raio x das mortes notificadas no estado).
Somente nos primeiros cinco meses deste ano, foram notificados 3.698 óbitos, pelo menos 26 a mais, do que os 3.672 do ano passado inteiro. Ao todo, são 7.370.
Levando em consideração que o primeiro óbito pela doença foi registrado no último dia de março do ano passado, todas as mortes de 2020 aconteceram no período de nove meses.
Com base na quantidade de meses entre um ano e outro (nove em 2020 e cinco em 2021), as mortes neste ano levaram menos de metade do tempo em que foram registradas as do ano passado.
Apenas em março de 2021, considerado o pior mês da pandemia no estado, foram 1.218 mortes de pessoas infectadas pelo novo coronavírus.
Em um dia do terceiro mês deste ano, o número de novos óbitos saltou, chegando a um saldo diário de 70 vidas interrompidas.
Até os principais cemitérios de João Pessoa ficaram sem vagas por causa do aumento de mortes provocadas pela doença.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2021/p/v/kWb2z6TCuga84Td4qDaw/covas.jpg)
Cemitério Senhor da Boa Sentença está sem espaço para abertura de novas covas, devido ao crescimento de mortes por Covid-19 em João Pessoa — Foto: Arquivo pessoal/Elycarlos Aguiar
Ao passo em que o maior dos índices negativos sobe, o ritmo da vacinação contra a Covid-19 é lento e a campanha de imunização enfrenta problemas (leia mais ao fim desta reportagem).
Na Paraíba, a Covid-19 é quase 10% mais letal em homens do que em mulheres (veja no gráfico abaixo), conforme indicam os levantamentos da Secretaria de Estado da Saúde (SES).
Quantidade de homens e mulheres mortos por Covid-19 na PB
Letalidade é maior em pessoas do sexo masculino.
Total de homens mortos por Covid-19: 4.055Total de mulheres mortos por Covid-19: 7.370
Fonte: SES/PB
Hipertensão, cardiopatia e diabetes são as comorbidades mais frequentes entre as pessoas que morreram após serem infectadas pela doença (confira na tabela abaixo).
Comorbidades frequentes em mortos por Covid-19 na PB
| Doenças | Percentual |
| Hipertensão | 23.53% |
| Cardiopatia | 22.24% |
| Diabetes Mellitus | 21.46% |
| Obesidade | 9.45% |
| Outras | 6.11% |
| Doença Respiratória | 4.18% |
| Doença Neurológica | 3.36% |
| Tabagismo | 2.84% |
| Doença Renal | 2.65% |
| Neoplasia | 1.39% |
| Etilismo | 0.99% |
| Imunossupressão | 0.97% |
| Doença Hematológica | 0.40% |
| Doença Hepática | 0.30% |
| Transtorno mental | 0.10% |
| Doença do Aparelho Digestivo | 0.02% |
Fonte: SES-PB
Já a faixa etária com mais registros de mortes é a de idosos com 80 anos ou mais (observe no gráfico abaixo).
Faixa etária das pessoas que morreram de Covid-19 na Paraíba
Ainda no olho do furacão, o governador da Paraíba, João Azevêdo, indicou a possibilidade de que o estado viva uma terceira onda de infecções de Covid-19.
“Nós precisamos entender que vamos entrar, sem sombra de dúvida nenhuma, infelizmente numa terceira onda. E precisamos estar preparados para isso”, declarou.
Uma das medidas para conter um novo avanço da doença no estado, segundo o gestor, é o aumento de restrições durante o período junino e a agilidade na distribuição de vacinas para os 223 municípios paraibanos.
João também acredita que a atual situação epidemiológica se deve ao descumprimento de protocolos sanitários de prevenção à Covid.
“Infelizmente algumas atividades como bares e restaurantes não estão seguindo as orientações [...]. As pessoas estão numa liberatividade maior do que a possível e permitida nesse momento”, lamentou.

Novo decreto estadual restringe horário de funcionamento de bares e restaurantes, na PB
O primeiro registro de morte causada pela doença na Paraíba aconteceu no dia 31 de março do ano passado. A vítima foi Danyllo Figueiredo de Andrade, de 36. Morava em Patos, município do Sertão do estado, com a companheira Danyllo Figueiredo de Andrade, de 36 anos.
Dono de uma rede de farmácias, ele gostava de sair, de passear, de se divertir. Danyllo estava acima do peso, era diabético, possuía asma. Estava dentro do grupo de riscos.
Os primeiros sintomas surgiram por volta do dia 21. E, apenas dez dias depois, em 31 de março, ele se tornava o primeiro óbito provocado pelo novo coronavírus confirmado em território paraibano.
Um ano depois, Amanda ainda tenta entender o que aconteceu. Ainda tenta conviver com a saudade e com a ausência de quem tanto amou.
“Ele nunca vai sair do meu coração. Foi a primeira pessoa que eu amei. Um grande amor que eu tive e que vai sempre seguir perto de mim”, declara-se Amanda de Oliveira.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2021/0/L/KmdAOHSm6pGFcF3UgPVg/amanda01.jpg)
Amanda e Danyllo, primeira vítima da Covid-19 na Paraíba — Foto: Alane Amanda de Oliveira Silva
O Tribunal de Contas do Estado (TCE), por meio de relatório, aponta que 8.973 doses de vacinas contra a Covid-19 aplicadas na Paraíba correspondem a CPFs inexistentes e 341 doses são de pessoas mortas.
Os dados foram cruzados com informações com diversas bases de dados, como a do Sistema Nacional de Óbitos.
No percentual calculado a partir do total de 654.032 de vacinas aplicadas até 12 de abril, 78.417 doses foram aplicadas de maneira errada, uma inconsistência de 11,98%. O TCE não divulgou os municípios onde as irregularidades foram encontradas.
Ainda segundo o relatório do TCE, pelo menos 19 pessoas com menos de 18 anos foram vacinadas contra a Covid-19 na Paraíba. Conforme o documento, existem registros de imunização contra a doença em crianças de 2 e 6 anos.
A campanha de imunização contra a Covid-19 na Paraíba começou no dia 19 de janeiro. A emoção e a ansiedade passaram a fazer parte de todos os paraibanos que aguardam pela vacina, que chega aos poucos.
Ao decorrer da vacinação, houve registro de falta de organização e aglomeração, principalmente nas ações de vacinação dos idosos, que foram um dos grupos de maior risco para a doença.
Depois, esses mesmos idosos tiveram a aplicação da segunda dose do imunizante atrasada. Foi preciso uma decisão judicial para que o Ministério da Saúde enviasse novas vacinas para normalizar a campanha.
Mesmo assim, o ciclo de imunização de alguns grupos segue sendo realizado com atraso em cidades como Campina Grande.