Advogado vai pedir abertura de sindicância para apurar conduta de médica de Patos que atacou Janja a chamando de ‘quenga’
Por Vicente Conserva - 40 graus Quarta-Feira, 28 de Outubro de 2026
Ainda repercute com bastante efervescência e desdobramentos na cidade de Patos, no interior da Paraíba, as atitudes da médica Mirna Noia Wanderley, esposa do ex-prefeito de Patos, Dinaldo Medeiros Wanderley Filho (Dinaldinho), que apareceu nas redes sociais usando um boné com a frase “Make Janja quenga again”, cuja tradução é: “faça Janja quenga de novo”. Expressão considerada depreciativa e misógina direcionada à primeira-dama do Brasil, Rosângela da Silva, Janja.

Mesmo vindo a público na manhã desta quarta-feira (28) para se desculpar pela fotografia, não só internautas condenaram a atitude, como também não aceitaram o pedido de Mirna que disse que errou ao usar o acessório e publicar a imagem, classificando como uma “brincadeira de muito mau gosto”. Ela pediu desculpas às mulheres que se sentiram ofendidas, além de mencionar diretamente a primeira-dama.
Mesmo assim, o advogado e vereador por Patos, Héber Tiburtino (PP), afirmou que irá protocolar um requerimento para que seja aprovado pela Câmara Municipal pedindo que o governo do Estado instaure um procedimento administrativo no que diz respeito à sua postura ética, já que ela é servidora pública concursada do Estado da Paraíba.
De acordo com o parlamentar, ele ainda irá apresentar um ofício junto à Secretaria de Estado da Saúde para que abra uma sindicância para apurar se a conduta da profissional fere ou não os princípios de conduta da administração pública estadual.
Héber considera que a postura de profissional da Medicina foi misógina ao proferir palavras contra a honra e à imagem da primeira-dama Janja Lula.
Mirna afirmou ainda que a situação lhe trouxe um aprendizado e pediu que as pessoas considerassem que, por trás da publicação, existe uma pessoa, mãe, esposa e profissional. Ao encerrar, disse que o episódio não apaga sua trajetória nem o bem que afirma ter feito a outras pessoas, usando a frase “quem me conhece sabe”.
No entanto, a foto provocou grande repercussão em Patos e motivou notas públicas de repúdio por parte das executivas municipais do Partido dos Trabalhadores e do PC do B, além do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher e Diversidade Humana.
Os pronunciamentos criticaram o uso de uma expressão de cunho sexual para atingir uma mulher no contexto do debate político e defenderam o respeito à dignidade feminina.
O Conselho Municipal dos Direitos da Mulher e Diversidade Humana pediu a apuração administrativa e ética da conduta da médica pelos órgãos competentes, enquanto Lenildo Morais e o PCdoB destacaram que divergências políticas não devem justificar ataques pessoais e manifestações ofensivas contra mulheres.