Ataques de cães levam mais de mil pessoas ao Hospital Regional de Patos em um ano
Por Célio Martinez - A Fonte Quarta-Feira, 25 de Fevereiro de 2026
O número de atendimentos a vítimas de mordidas de cães no Hospital Regional Jandhuy Carneiro, em Patos, tem causado preocupação e acendido um alerta para as autoridades. De acordo com levantamento realizado pelo vereador Rafael Policial (União) junto à direção da unidade hospitalar, 1.262 pessoas foram atendidas em 2025 após ataques caninos. Desse total, 1.003 vítimas eram residentes do município de Patos. Considerando as subnotificações, esses números podem ser ainda maiores.

Para o parlamentar, os dados são considerados alarmantes e exigem uma resposta imediata do poder público. “São números pra lá de preocupantes e a gente precisa priorizar uma solução pra esse problema”, afirmou Rafael Policial, ao destacar os riscos à saúde e à segurança da população.
Segundo o vereador, apenas ações pontuais, como a castração de animais, não são suficientes para conter o problema. Ele defende uma política mais ampla de manejo e acolhimento.
“Não dá pra ficar somente castrando esses animais. É preciso recolhê-los para um local específico, com as adequações necessárias para abrigar esses animais, tirando-os das ruas”, acrescentou.
Os números continuam elevados também em 2026. Conforme os dados obtidos pelo parlamentar, 204 pessoas já foram atendidas neste ano no Complexo de Saúde Jandhuy Carneiro em decorrência de mordidas de cães. Deste total, 156 vítimas são da cidade de Patos, considerando o período de 1º de janeiro até esta terça-feira, 24 de fevereiro.
Rafael Policial, que tem a causa animal como uma de suas principais bandeiras de atuação, reforçou que o problema precisa ser tratado de forma responsável, equilibrando o bem-estar dos animais e a proteção da população. Ele informou ainda que pretende levar o tema para debate nas próximas sessões da Câmara Municipal.
“Nós temos algumas sugestões pra resolver esse problema e espero contar com o apoio dos colegas na Casa”, concluiu o vereador.
O levantamento reforça a urgência de políticas públicas voltadas ao controle populacional de animais, criação de espaços adequados para acolhimento e ações educativas, visando reduzir os riscos e preservar a saúde pública no município.

EM TODO O PAÍS
Os incidentes envolvendo mordidas de cães não são incomuns no Brasil. Estima-se que milhares de pessoas sejam atacadas anualmente, resultando em lacerações, cortes profundos, contusões e, em casos extremos, amputações com danos a músculos e ossos. Dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de 30 mil atendimentos por ano em unidades de saúde estão relacionados a mordidas de cães.
CIDADE CAMPEÃ DE ATENDIMENTO
Dados da Secretaria Municipal de Saúde revelam que os ataques de animais continuam sendo uma realidade preocupante em Campo Grande. Somente em 2025, foram registrados 5.501 atendimentos por ataques causados por cães e gatos na capital. Os dados foram levantados após o ataque sofrido por uma grávida, no Jardim Noroeste.
De acordo com a Gerência de Controle de Zoonoses (GCZ), foram contabilizados no ano passado 4.178 atendimentos provocados por cães agressivos e 1.323 por gatos. A secretaria esclarece que os números não representam a totalidade dos casos ocorridos na cidade, já que entram na estatística apenas as situações em que as vítimas procuraram atendimento em unidades de saúde.

PERIGOS
O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM), Antonio Carlos da Costa, explica que "as mordidas de cachorro, seja de um animal de estimação ou um animal estranho, podem ter consequências terríveis. Todo cachorro pode provocar lesões, mas quanto mais forte a mordida e quanto mais tempo o cachorro mantém a parte do corpo entre os dentes, os danos serão maiores".
Ele acrescenta que os cães pitbulls, com força de mordida de aproximadamente 200 kgf (quilogramas-força), mantêm a parte do corpo da vítima presa por tempo prolongado. As mãos, o antebraço, o braço e as pernas são as partes do corpo mais acometidas. Nas crianças, o rosto também é comumente afetado devido à altura mais acessível aos cães.
Nas mãos, os ferimentos mais comuns são lacerações, lesões tendíneas, de nervos e fraturas, podendo haver amputação. Antonio Carlos da Costa destaca que "a mão do homem é uma estrutura complexa que nos permite executar tarefas finas e com sensibilidade epicríticas, o que nos diferencia das outras espécies. Quando há lesões de nervos, tendões, ligamentos e/ou fraturas, ocorre quebra da harmonia dos tecidos e, consequentemente, déficit funcional".