Família que mora em barraco na alça sudeste, em Patos, vive em condições precárias mas se nega a sair do local. "Só se a prefeitura der uma casa num sítio"
Por José Filho Terça-Feira, 9 de Janeiro de 2018
Neste final de semana, a população de Patos tomou conhecimento da situação de precariedade e condições sub-humanas em que vive uma família que há algumas semanas decidiu morar em um barraco de taipa nas proximidades de uma linha férrea, na alça sudeste.
Numa casa improvisada, feita de madeira e papelão, que mal protege do sol ou da chuva, vivem sete pessoas: uma mãe, de 31 anos; com seu pai de 74 anos; dois adolescentes, de 13 e 12 anos; e três crianças, de 9, 6 e 3 anos.
A mulher, Maria Patrícia dos Santos Oliveira, disse que a família vive unicamente do que recebe do Bolsa Família e da aposentadoria do pai dela, José Oliveira, o que totaliza quase R$ 1.500. O marido de Maria Patrícia está preso na penitenciaria Romero Nóbrega.
Mas o que chamou a atenção da nossa reportagem, composta pelos repórteres José Filho e Igor Rodrigues, que visitou a família na tarde desta segunda-feira, é que eles são felizes com o modo de vida deles e que preferem viver no sossego do afastamento da zona urbana, mesmo com as condições precárias.
O repórter Igor Rodrigues conversou com a matriarca da família. Maria Patrícia contou como eles chegaram até o local onde vivem.
“A nossa vida aqui é normal. Eu só vim para cá por que tomei abuso da vida naquele canto que é o que sai e vem para cá. Essa casa quem construiu foi eu e meu pai. Começamos a tirar a madeira no mato, ajeitamos, meu cunhado me deu umas telhas. Um vão nós puxamos com um dia e eu vim pra debaixo, depois que estava aqui, nós puxamos os outros vãos. Pra morar na rua (zona urbana) eu não quero casa lá não. Quem pudesse me ajudar com material para eu fazer uma aqui eu aceito, mas pra morar na cidade mesmo eu não quero não. Só sairia se a prefeitura desse uma casa num sítio pra a gente morar. O povo tá vindo doar as coisas para mim, mas quando não vinham as doações eu comprava por que eu recebo dinheiro do Bolsa Família das crianças, tem a aposentadoria do meu pai e quando meu esposo estava fora da prisão, ele fazia carvão pra vender. Graças a Deus eu sou feliz. Eu estou com eles (a família), eu estou feliz. Só não estou mais por que meu marido está preso, mas se Deus quiser, meu homem vai sair”, relata Maria.
Nossa equipe de reportagem procurou a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social de Patos e conversou em off com a secretária Da Guia.
Nós fomos informados que a ação social faz todo o acompanhamento da família, inclusive, tendo matriculado as crianças no programa Mais Educação. A família recebe ainda, assistência de saúde e alimentícia.
Mas, segundo a secretaria, a família se recusa a sair do local, que é uma área invadida, pois o terreno pertence a União, e que só sairão caso a gestão consiga uma residência em um sítio para que eles possam morar.
Família se nega a receber aluguel social da prefeitura
O setor de vigilância social, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, visitou na manhã desta terça-feira (09), uma família que está morando ao lado da Alça Sudeste, em situação precária. No barraco, sem nenhuma estrutura, vivem Maria Patrícia dos Santos Oliveira, de 31 anos, com cinco filhos, menores de idade; e o pai dela, o senhor José Oliveira de 74 anos. Este assunto, inclusive, mereceu destaque na edição de ontem do site folha patoense.
A família, que antes morava no assentamento Serrote Liso, está sendo atendida, desde o mês de maio de 2017, pela Prefeitura de Patos, com uma ajuda de R$ 450,00 do Bolsa Família, e ainda com o Benefício Assistencial ao Idoso e à Pessoa com Deficiência (BPC), no valor de R$ 954,00, correspondente a um salário mínimo, em nome do senhor José Oliveira.
Nos últimos dias, o caso dessa família foi destaque na imprensa local através de reportagem no site Folha patoense.
A coordenadora da vigilância social, Áurea Zucheratto, disse que esta família está sendo assistida de todas as formas e que já foi oferecido, inclusive, aluguel social e cursos de capacitação, mas sem muito sucesso.
“O que a Secretaria de Desenvolvimento Social pode fazer por esta família está sendo feito. Nós estamos fazendo visitas periódicas, buscando saber se as crianças estão estudando; só que está havendo resistência por parte da senhora Patrícia para aceitar o aluguel social, que é um direito dela, nós estamos insistindo nisso, mas ela não está querendo,” contou Áurea
A senhora Maria Patrícia, confirmou que está recebendo o apoio da Prefeitura de Patos, mas que precisa da permissão do marido para aceitar o aluguel social.
“Veio aqui para alugar uma casa, Michelle, que é assistente social; mas, primeiro, eu tenho que falar com o meu esposo que está preso para eu saber dele se posso aceitar esse beneficio até ser feita uma casa, mas eu pretendo mesmo é ficar no sítio”, afirmou Patrícia.
Outra alegação de Patrícia é que o barraco dela fica perto das escolas onde os filhos estão matriculados, mesmo sendo oferecida pela Secretaria de Desenvolvimento Social uma busca por escolas próximas a casa que viesse a ser alugada.