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7 DE SETEMBRO - Um prazer — mais que um dever — fazer parte daquele momento ensaiado à exaustão.

Por Misael Nóbrega - Jornalista   Domingo, 7 de Setembro de 2025

Despertávamos no dia da Pátria, convocados para honrar às tradições e ajudar a perpetuar os costumes, num quase chamamento à batalha. Inocentes, marchávamos pela avenida-maior de nossas vidas, parecendo um exército de verdade. Meninos escanelados, pé a pé, antevendo… Orgulhosamente arrumados nas fardas dos seus educandários. Um prazer — mais que um dever — fazer parte daquele momento ensaiado à exaustão.

Havia ali uma cidade ansiosa pelos filhos da Ditadura, que, desempenhando o papel para o qual foram “alistados”, adentravam, enfim, o corredor infinito. A rua era toda nossa. Seguíamos, enfileirados, como soldados-meninos, obedientes e disciplinados. Familiares e curiosos punham-se na ponta dos pés para ver a parada cívica de 7 de setembro…

A banda-fanfarra ritmava o nosso coração; e, com força, golpeávamos os paralelepípedos como que intimidando o chão. A moça mais bonita da escola ia à frente da banda e era também o abre-alas do nosso viver-moleque. Num outro pelotão, o “jovem fidalgo”, imponente, em seu cavalo branco, com a espada em punho, imitava os livros de história. E assim seguíamos, com toda aquela gente a nos ver marchar.

Não há regime que se sustente por muito tempo sem a ilusão de seu povo. Por isso, defendo a revolução em todos os enredos. Sinto e sofro quando vejo carregarem flâmulas com temas de ontem. O passado é contraproducente, pois não pertence a ninguém. O caminho deve ser o que elegermos. Mesmo sabendo ser um ato de cidadania, o Estado somos nós.

E, para que essa verdade seja plena, temos que nos responsabilizar, a cada dia, pelo lugar onde decidimos ser enterrados; pois assim tornar-se-á mais fácil separar a realidade da fantasia. A provocação é o que importa, até que deixemos sucumbir a máscara da ignorância.

Espero que as escolas e outras instituições compreendam o desfile de 7 de setembro como um berro de independência — que passa, necessariamente, pela retirada de seus grilhões internalizados pela opressão.

Não digo que sejam dispensáveis as delongas sobre o patriotismo e seus valores cívicos, mesmo que todos conheçam as sagrações que envolvem a data alusiva. (Nem é essa publicidade alienadora o que me incomoda). Mas, em respeito àqueles meninos que sonhavam com estrelas, porquanto dormiam e nunca contavam estrelas por cupidez — apenas, em respeito a eles, não digo.

*Misael Nóbrega de Sousa

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