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Agricultores do Vale do Sabugi reclamam dos impactos ambientais provocados pelas energias renováveis

Por Vicente Conserva - 40 Graus com Patosonline   Quarta-Feira, 1 de Novembro de 2023

O aumento populacional mundial tem intensificado a demanda por bens e serviços, por isso, iniciou-se uma busca por alternativas sustentáveis que suprissem as necessidades atuais da população e que ao mesmo tempo não comprometa as futuras gerações, ao abordar o uso consciente dos recursos naturais disponíveis no planeta, observando as dimensões econômicas, social e ambiental, frente a escassez e crises ambientais atuais

A preocupação com as questões ambientais se tornou o principal vetor para a busca por opções mais limpas na geração de energia. Dentre essas opções, a energia eólica tem ganhado visibilidade nas últimas décadas, por não gerar gases de efeito estufa a fonte eólica tornou-se essencial para a mitigação das alterações climáticas.

A Paraíba conta com uma capacidade instalada de 157,2 MW distribuídos em 15 parques, localizados no litoral do estado no município de Mataraca, e no Sertão nos municípios de Santa Luzia, São José do Sabugi e Junco do Seridó. Além destes parques, o Atlas Eólico da Paraíba cita que o estado detém sete áreas de potencial uso da energia eólica para a produção de eletricidade em outras regiões.

É notável o potencial da Paraíba para a instalação e operação de parques eólicos, porém antes de se iniciar tais projetos é necessário conhecer os aspectos positivos e negativos que conduzem a difusão da energia eólica, com os impactos ambientais negativos que produz.

E é exatamente isso que vem ocorrendo no Vale do Sabugí onde instituições que compõem a Articulação do Semiárido Paraibano, juntamente com agricultores, representantes da coordenação estadual das comunidades quilombolas, MST, Fetag e professores universitários, estão preocupados e denunciando os impactos ambientais que o parque vem provocando em todas as áreas onde há instalação das torres.

“São danos, não são danos temporários, não. São danos permanentes para quem cria animal, que diz que pode, o da energia eólica Ele diz que pode plantar depois, pode criar animais, mas o barulho das torres diariamente e a sombra das torres passando no chão, estressa os animais imensamente e a comunidade também, apesar de que a nossa comunidade aqui não pegou energia eólica, mas nossos vizinhos, comunidades vizinhas pegaram e sofrem imensamente com as torres, com o barulho das torres, com a sombra. Da torre passando no chão, estressando os animais e a pintura dos motores, que aumentou bastante. E a energia solar é a que nos prejudica bastante, porque contaminou o solo. Eles botam um veneno no solo para não crescer as plantas, não crescer mato. E quando choveu, no começo do ano que choveu, aí eles aterraram as barragens. Na verdade, enterraram as barragens, a água desceu toda no rio, então contaminaram o rio todo. É um prejuízo imenso”, disse Zuíla, presidente da Associação Comunitária Quilombola do sítio Pitoeira, no município de Várzea.

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Diante de toda essa problemática, todos os envolvidos neste pleito se reuniram na última sexta-feira (27) com representantes do Governo Federal, para estabelecer um diálogo sobre os impactos das energias renováveis (eólica e solar) para a região semiárida.

A União esteve representada por meio da Secretaria Geral da Presidência da República, Ministério do Meio Ambiente, Minas e Energia, Incra, Ministério de Desenvolvimento Agrário, Cersa, quando na oportunidade foi feita uma visita aos parques solares e eólicos instalados no município de Santa Luzia, para constatar alguns problemas ocorridos na região.

No município de São José do Sabugi, localizado no Vale do Sabugi, Sertão do estado, juntamente com os municípios de Santa Luzia e Junco do Seridó formam os parques Canoas, Lagoa I e II. Cada parque possui 15 aerogeradores que totalizam uma capacidade instalada de cerca de 90MW.

“Em princípio nós não sabíamos quais eram os impactos que ela ia causar tanto, mas nós estamos com prejuízo ambiental nos rios contaminados no barro que desceu dos rios, a terra ficou solta, descampada, a devastação da nossa caatinga, fora a colocação dos inseticidas que colocaram para não nascer mato, além das explosões que colocaram nas rochas para planear a energia solar, que racharam as nossas casas e nossas cisternas. Não somos contra as energias renováveis, mas a forma como está sendo feita” disse Zuíla.

Outras consequências causadas as populações locais, foram o assoreamento, poluição e contaminação dos açudes, desmatamento, aquecimento do clima e até mesmo a expulsão das famílias do campo, devido as alterações do ambiente natural para a sua subsistência.

Os representantes das comunidades afetadas falaram sobre os principais problemas vivenciados pelas comunidades, na expectativa de que alguma medida possa ser tomada para minimizar os impactos ocorridos. Além de Santa Luzia, participaram representantes de vários municípios do Vale do Sabugi.

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