Colegas de motoboy de Patos desconfiam que ele inventou história de agressão com açaí
Por Vicente Conserva Segunda-Feira, 27 de Fevereiro de 2023
O caso do motoboy Elias Medeiros Guedes, que trabalha fazendo entregas em sua moto de forma autônoma na cidade de Patos, ganhou novos contornos nesta segunda-feira (27), após colegas de trabalho começarem a questionar a história contada por ele de que na noite da última sexta-feira, dia 24 de fevereiro, foi realizar a entrega de açaí em uma residência no Bairro Maternidade, em Patos, porém, em decorrência da demora e do derretimento do produto, a cliente teria arremessado o açaí em seu rosto.
O ato de solidariedade por parte dos colegas que fizeram até uma motociata em apoio ao jovem e à categoria, com buzinaço na suposta rua onde teria ocorrido a história, transformou em revolta por parte de alguns que não estão mais acreditando no relato e desconfiança por parte de outros que ainda pedem mais explicações por parte de Elias.
Após várias cobranças, Elias Medeiros acabou dizendo o nome de uma rua no bairro onde teria ocorrido o fato, mas sem dar mais detalhes. Em poucos minutos, na tarde do mesmo dia, dezenas de motoboys se aglomeram e foram fazer um “barulhaço” no possível endereço, porém, ao que relatam, no endereço não havia sido feita nenhuma entrega e o fato causou embaraço e também revolta.
Elias agradeceu o apoio. "Juntos somos muito mais fortes!!! Obrigada, pessoal! Vocês são incríveis e é por causa de vocês que esse tipo de situação jamais acontecerá outra vez!! A união faz a força!!!"

No entanto, segundo colegas, Elias Medeiros começou a não dar mais detalhes e os colegas começaram a fazer questionamentos da provável agressão, pois não foi feito Boletim de Ocorrência na Delegacia de Polícia Civil, não se sabe qual o estabelecimento que a provável mulher teria pedido o açaí, porque os jornalistas que deram a versão do motoboy não apuraram a versão da possível agressora e algumas questões que dizem respeito ao local onde teria acontecido o fato e o deslocamento do agredido por alguns quilômetros com açaí no capacete até chegar em sua residência, conforme dito.

Na Rádio Arapuan, em João Pessoa, os jornalistas Luis Torres, Clilson Júnior e Gutemberg Cardoso falaram em cadeia estadual de rádio que o caso está muito estranho e se faz necessário alguns esclarecimentos, pois, até o momento não se sabe nem quem é o advogado do motoboy. Os jornalistas disseram que tentaram falar com Elias Medeiros, mas as ligações não foram atendidas ou retornadas. Os jornalistas fizeram contato com o delegado em Patos, porém, foram informados que não existe nada na delegacia.
Indagado se a advogada estava tratando o caso no poder judiciário, Medeiros confirmou. "Isso". Segundo apurou a reportagem do Portal, Elias faz parte de um grupo de WhatsApp onde há cerca de 30 entregadores. Uma empresa gerencia onde cada entrega deve ser feita. Elias detalhou que ao ser informado da entrega ele teve conhecimento que a mesma já estava atrasada.

Após o questionamento, ele informou que disse que o motivo do atraso era devido as chuvas. Então, a mulher voltou a reclamar "uma demora dessa pro pedido chegar e você ainda chega com o pedido derramado, com produto incompleto". Após isso, ela decidiu que não queria mais o pedido. "Ainda tentei apaziguar. Ela arremessou o açaí e então eu simplesmente subi na moto e vim pra casa", detalhou em outra entrevista à imprensa.
O responsável pelo grupo de entregadores Mr. Bee Delivery, Rafael Fernandes, veio a público cobrar mais transparência sobre o caso do motoboy Elias Guedes. No vídeo, Rafael Fernandes fala que Elias não disse para ele, como responsável do grupo, o nome da cliente ou o endereço para que ele pudesse ajudar o jovem nesta situação.
Um dos motoboys que participou do protesto realizado na tarde de ontem (26), disse que a classe também está insatisfeita e revoltada com a falta de informações fornecidas pelo jovem Elias. Segundo ele, o protestou foi realizado com o intuito de defender a classe, no entanto, o próprio Elias não teria aprovado, como relatou aos veículos de imprensa.
“A classe tá revoltada com essa falta de informações sobre o endereço da cliente, o estabelecimento do qual foi pego o açaí e se realmente esse caso tá sendo acionado judicialmente. A gente defendeu a classe da gente, mas ele em todos os veículos de imprensa diz que achou lindo, mas não aprovou”, disse.
Ele aproveitou também para pedir desculpas em nome da classe, caso tenham realizado o protesto na casa errada, já que Elias não forneceu as informações exatas: “Queríamos se desculpar caso a gente tenha feito o protesto na casa errada, porque a gente não sabia nem exatamente onde era. A gente só quer explicar que a gente foi naquela residência por ser uma ‘pista’ de onde era a casa. até agora ninguém sabe quem foi, nem onde foi”, relatou.
Com informações do Polêmica Patos e Patosonline