Meteorologista avalia que chuvas registradas até agora em Patos e região foram acima da média
Por Vicente Conserva - 40 Graus com Assessoria Terça-Feira, 10 de Maio de 2022
O meteorologista e Coordenador do LABMET/UNIVASF, prof. Dr. Mário de Miranda Vilas Boas Ramos Leitão, fez uma avaliação das precipitações registradas nos primeiros quatro meses do ano de 2022.
Vamos a avaliação.
Neste Boletim é feita uma análise do comportamento das chuvas em Patos e região no período de janeiro a abril de 2022. Neste sentido, comparou-se os índices de chuva observados nos quatro primeiros meses de 2022, com as médias históricas de chuvas registradas pela SUDENE. Foram contempladas inicialmente as cidades de Patos e da região que têm 60 anos ou mais de dados registrados de chuva: Catingueira, Condado, Desterro, Imaculada, Mãe D’ Água, Malta, Passagem, Patos, Salgadinho, Santa Luzia, São Mamede, São José de Espinharas, Teixeira e Vista Serrana. Também, são mostrados os dados de chuvas registrados no mesmo período de janeiro a abril de 2022, nas cidades de Areia de Baraúnas, Cacimbas, Cacimba de Areis, Quixaba, São José do Sabugi, São José do Bonfim e Várzea. Porém, como estas cidades ainda não têm uma série de dados de chuvas igual ou maior do que 30 anos, não foi possível fazer-se comparação detalhada como no caso das outras 15 cidades.
Os dados apresentados na Tabela 1, mostram que no período de janeiro a abril de 2022, em Patos e mais 14 cidades circunvizinhas, os índices de chuvas em média foram acima da média esperada. A cidade de Catingueira foi a que teve o maior índice de chuva da região 895,6 mm, índice que representa 156,0 mm a mais do que o índice esperado de chuva para o período de janeiro a abril. Em outras palavras significa que choveu em Catingueira 21,1% a mais do que a média do período. Porém, a cidade da região que teve o maior índice de chuva acima da média foi Vista Serrana, lá choveu 758,4 mm, isso representa um índice de 367,3 mm acima média esperada para o período. Porém, embora as chuvas no referido período, na região, em média tenham representado 97,4 mm acima do índice médio esperado (550,4 mm), ou seja 17,7% acima da média, em 4 cidades, os índices foram abaixo da média: Santa Teresina -81,9 mm (-12,0%); São Mamede -18,9 mm (-2,8%); São José de Espinharas -13,4 mm (-5,5%); e Teixeira foi a cidade que teve o maior índice de chuva abaixo da média esperada -120,9 mm (-20,6%). No caso particular de Patos, o índice de chuva foi muito expressivo atingiu no período 787,5 mm, ou seja, isso representa um índice de 227,9 mm superior à média de chuva esperada para o período de janeiro a abril e corresponde a 40,7% a mais do que o índice médio de chuva esperado. Por outro lado, esse total de chuva registrado neste ano de 2022 em Patos, supera inclusive o índice de chuva esperado para o ano inteiro, que é de 715,3 mm. Em resumo, conforme pode ser observado na Tabela 1, em 11 cidades da região, as chuvas foram acima da média e em 4 um pouco abaixo da média.
Tabela 1. Índice de chuva do período janeiro a abril/2022; índice médio do período de janeiro a abril; diferença entre o período janeiro a abril/2022 e média do período janeiro a abril; e o percentual em relação à média do período janeiro a abril.
|
CIDADE |
ACUMULADO DO PERÍODO JAN./ABRIL 2022 (mm) |
MÉDIA DO PERÍODO JAN./ABRIL (mm) |
DIFERENÇA ACUMULADO PERÍODO 2022 -MÉDIA (mm) |
PERCENTUAL EM RELAÇÃO A MÉDIA (%) |
|
CATINGUEIRA |
895,6 |
739,6 |
156,0 |
21,1 |
|
CONDADO |
748,1 |
601,4 |
146,7 |
24,4 |
|
DESTERRO |
687,2 |
382,0 |
305,2 |
79,9 |
|
IMACULADA |
646,0 |
477,2 |
168,8 |
35,4 |
|
MÃE D'ÁGUA |
623,3 |
591,1 |
32,2 |
5,4 |
|
MALTA |
648,3 |
582,2 |
66,1 |
11,4 |
|
PASSAGEM |
588,2 |
574,7 |
13,5 |
2,3 |
|
PATOS |
787,5 |
559,6 |
227,9 |
40,7 |
|
SALGADINHO |
338,2 |
313,5 |
24,7 |
7,8 |
|
SANTA LUZIA |
621,6 |
434,9 |
186,7 |
42,9 |
|
SANTA TEREZINHA |
601,5 |
683,4 |
-81,9 |
-12,0 |
|
SÃO MAMEDE |
621,6 |
639,8 |
-18,2 |
-2,8 |
|
SÃO JOSÉ DE ESPINHARAS |
685,0 |
698,4 |
-13,4 |
-5,5 |
|
TEIXEIRA |
466,8 |
587,7 |
-120,9 |
-20,6 |
|
VISTA SERRANA |
758,4 |
391,1 |
367,3 |
93,9 |
|
REGIÃO |
647,8 |
550,4 |
97,4 |
17,7 |
Fonte dos dados: AESA/PB
Na Tabela 2 são apresentados os índices de chuva registrados nos meses de janeiro, fevereiro, março e abril, bem como a soma do período de janeiro a abril das cidades de Areia de Baraúnas, Cacimbas, Cacimba de Areis, Quixaba, São José do Sabugi, São José do Bonfim e Várzea. Como foi dito anteriormente, devido estas cidades não terem ainda as normais climatológicas e nem uma série histórica de dados de chuvas disponível, não foi possível efetuar uma comparação dos índices de chuvas registrados em 2022, com os respectivos índices médios, a exemplo do que foi feito no caso das outras 15 cidades da região, mostrados na Tabela 1. Contudo, pode ser observado a partir dos índices apresentados na Tabela 2, que no período de janeiro a abril, São José do Bonfim foi entre estas cidades a que teve o maior índice de chuva (682,9 mm), seguido pelas cidades de Quixaba (632,8 mm) e Cacimba de Areia (615,5) que também tiveram índices de chuva muito bons.
Tabela 2. Índice de chuva de janeiro; fevereiro; março e abril de 2022 e a média do período janeiro a abril de 2022.
|
CIDADE |
JANEIRO |
FEVEREIRO |
MARÇO |
ABRIL |
PERÍODO |
|
AREIA DE BARAUNAS |
108,9 |
82,8 |
181,6 |
138,3 |
511,6 |
|
CACIMBAS |
60,6 |
91,6 |
215,4 |
27,4 |
395,0 |
|
CACIMBA DE AREIA |
134,5 |
117,8 |
247,6 |
115,6 |
615,5 |
|
QUIXABA |
182,2 |
140,6 |
177,7 |
132,3 |
632,8 |
|
MATUREIA |
16,9 |
146,1 |
182,8 |
206,7 |
552,5 |
|
SÃO JOSÉ DO SABUGI |
103,7 |
101,1 |
237,6 |
91,9 |
534,3 |
|
SÃO JOSÉ DO BONFIM |
191,5 |
136,6 |
243,0 |
111,8 |
682,9 |
|
VARZEA |
101,6 |
42,4 |
193,3 |
64,6 |
401,9 |
Fonte dos dados: AESA/PB
Observação: é oportuno destacar que as análises feita neste boletim tomaram como base os dados de chuva que chegaram na AESA/PB, até o dia 30/04/2022. Portanto, pode ser que dados de uma ou outra cidade ainda não tenham chegado na AESA, deste modo, não foram contemplados nestas análises. Gostaríamos de aproveitar a oportunidade para agradecer a AESA/PB por ter gentilmente cedido ao LABMET/UNIVASF, os dados constantes neste boletim técnico.