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Onda da Ômicron pode estar fazendo os casos explodirem em Patos; pico ainda não chegou

Por Vicente Conserva - 40 Graus com informações de O Globo   Quarta-Feira, 19 de Janeiro de 2022

Embora as autoridades sanitárias do Estado da Paraíba ainda não falem em predominância da variante Ômicron no estado, o que os números mostram é que ela já vem tendo atuação forte a partir dos novos infectados neste mês de janeiro, sobretudo aqui na cidade de Patos, no Sertão, onde está se verificando uma avalanche de casos dia após dia.

A variante Ômicron tem se mostrado não uma nova onda da Covid, mas um verdadeiro tsunami, provocando uma explosão de casos.

E é assim que o novo pico de casos da doença pode ser tratado na cidade que já registrou 1.157 casos em 18 dias do ano contra apenas 139 de todo o mês de dezembro último. Patos então caminha para ter um recorde de casos neste início de ano.

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A julgar pelos números que estão sempre em curva ascendente neste janeiro, este deverá também ser o mês com maior número de casos desde o início da pandemia. Até então, junho de 2021 havia sido o pior com 2.462 infectados e média de 82,06 casos/dia. Janeiro deve, portanto, superar esta marca.

2022 iniciou com a explosão de casos tendo a cidade já computado 1.157 novos até esta terça-feira (18). Já são 8,3 vezes mais que a incidência de casos de todo o mês de dezembro do ano passado que terminou com 139 casos.

Em números absolutos, já é uma subida de 732% mesmo ainda faltando 13 dias para o fim do mês.

Como a média diária vem subindo dia após dia numa velocidade jamais vista, tudo leva a crer que teremos um janeiro sufocante para a Rede de Saúde Pública.

Veja a alta na média diária de casos

Dia 14 - 34,92 de média diária

Dia 17 - 51,94 de média diária

Dia 18 – 64,27 de média diária

A sensação que fica é que aplicar duas doses não é suficiente para frear ondas, principalmente a da Ômicron que tem se mostrado ser uma variante 70% mais propagadora do vírus principalmente em lugares onde a vacinação não está tão avançada.

Da experiência desses lugares vem sendo possível prever o tempo de duração da crise: entre quatro e seis semanas de aumento vertiginoso no número de infecções até atingir o pico, seguido por, da mesma forma, queda acentuada. Caso o Brasil siga esse padrão, estaríamos a duas ou três semanas do pico e, assim, entrando logo em queda.

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Sendo assim, Patos ainda não teria atingido seu pico da nova onda com perspectiva ainda pior para os próximos dias com o aumento descontrolado de casos, visto que a curva ascendente com tendência maior de alta começou no dia 10 de janeiro.

No entanto, a Paraíba já convive com a transmissão comunitária da variante Ômicron e a tendência é que essa se torne predominante no Estado entre 15 a 25 dias. A previsão foi feita pelo secretário de Estado da Saúde, Geraldo Medeiros, no dia de 13 de janeiro, quando informou que essa variante já circula por todo o Estado.

O primeiro registro divulgado de paciente com a variante foi na primeira semana do mês, mas o diagnóstico aconteceu em dezembro do ano passado. “Já está circulando no estado e já existe transmissão comunitária com a variante Ômicron e geralmente num espaço de 15 a 30 dias ela se torna predominante”, frisou.

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Para o infectologista, professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Julio Croda, o padrão na curva dos outros países é claro: subida por cerca de cinco semanas e, depois, queda. No Brasil, isso deve se repetir: - Vamos observar essa curva aqui e o estado onde isso será visto precocemente é São Paulo, que teve os primeiros casos. No entanto, como teve réveillon e férias, houve uma sincronização entre as regiões. É um tsunami que vem e vai muito rapidamente. Se considerarmos a semana entre Natal e Ano Novo como início da curva epidemiológica, teremos o pico no começo de fevereiro para depois começar a queda. Isso, claro, se a nossa curva epidêmica se comportar de forma semelhante.

Segundo Croda, o platô observado em outras ondas não se repete porque a taxa de transmissão é quatro vezes maior do que o vírus original e não há medidas restritivas dessa vez. Depois, quando o vírus não encontra pessoas suscetíveis, ou porque estão muito bem protegidas pela vacinação ou porque já foram infectadas, ocorre a queda é acentuada.

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Portanto, não há como prevê o comportamento da variante na cidade, nem os efeitos por ela causados. Até o momento, apesar da alta de casos, percebe-se que a maioria são leves e número de internações está dentro do aceitável.

De acordo com o Boletim Epidemiológico da Secretaria de Saúde de Patos desta terça-feira, 23 pessoas ocupam os leitos dos 64 existentes no Complexo Hospitalar Regional e na UPA 24 Horas e apenas duas mortes confirmadas.

Mas as autoridades alertam para a falta de dados para o Brasil poder ter mais clareza sobre seu momento na pandemia.

A professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Ethel Maciel, que tem pós-doutorado em epidemiologia pela Universidade Johns Hopkins, considera a Ômicron “mais explosiva” do que as outras cepas do SARS-CoV-2, por isso a curva é tão aguda. E ainda alerta: — O problema no Brasil é o de sempre: não temos testes, e com o apagão de dados temos menos noção ainda do que está acontecendo. É difícil cravar com precisão acertada — afirma.

Outros fatores especificamente regionais podem interferir. Os médicos temem um repique no fim das férias e volta às aulas ou, ainda, provocado pelo Carnaval. Por isso, é importante que haja forte investimento na dose de reforço para toda a população e aceleração na vacinação das crianças.

Por aqui, pouco mais de 18% da população tomaram a dose de reforço e a vacinação de crianças só iniciou na última segunda-feira.

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