Motta indica aliado para organizar emendas na Câmara após servidora ser alvo da PF
Por Infomoney Quarta-Feira, 21 de Janeiro de 2026
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), indicou um aliado de sua estrita confiança para atuar na gestão das emendas parlamentares na Casa em dezembro, após operação da Polícia Federal mirar a servidora Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, que é apontada por deputados como quem operava a distribuição desses recursos na gestão Arthur Lira (PP-AL).Tuca manteve essa posição após Motta assumir o comando da Casa, mas foi afastada de suas funções em 12 de dezembro, por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo relatos de parlamentares, ministros do governo e assessores legislativos, Paulo Vinicius Marques Pinheiro, conhecido como Paulinho pelo entorno do presidente da Câmara, foi designado por Motta para supervisionar esse processo após o afastamento de Tuca.
De acordo com parlamentares, grande parte da organização desse fluxo já estava encaminhada quando Tuca foi afastada. Segundo os relatos, coube à equipe que trabalhava com a servidora atuar na parte operacional, enquanto Pinheiro foi responsável por supervisionar o processo e fazer a interlocução com os líderes, as comissões temáticas e o presidente da Câmara.
Deputados dizem avaliar que o cenário mais provável é que Pinheiro não fique no posto de forma definitiva a partir de fevereiro, com o retorno dos trabalhos legislativos. Um aliado de Motta diz, sob reserva, que o servidor foi deslocado momentaneamente “para ajudar” no fim do ano numa espécie de solução caseira, já que tradicionalmente há um maior fluxo do direcionamento dos recursos nesse período.
Além disso, como mostrou O GLOBO, a cúpula da Câmara trabalha com a expectativa de que Tuca possa voltar ao trabalho em breve. Em dezembro, a Mesa Diretora recorreu da decisão do Supremo e pediu a Dino que a servidora fosse restabelecida à sua função. Tuca nega ter cometido irregularidades e afirma que a atuação no cargo era “técnica”.
Há uma avaliação entre deputados que o retorno dela seria importante para restabelecer o fluxo das emendas, sobretudo em ano eleitoral, quando parlamentares buscam atender suas bases eleitorais mirando ganhos políticos.
A operação que afastou Tuca apura suspeitas de desvio de emendas parlamentares e gerou descontentamento na cúpula da Câmara, que interpretou como um ataque do STF direto ao Parlamento.
Quatro pessoas disseram à reportagem que foram orientadas por Motta, no fim do ano passado, a direcionar as demandas sobre a partilha das emendas para Pinheiro, diante da ausência de Tuca. Procurados, o presidente da Câmara e o servidor não responderam.
Atuação na Paraíba
Pinheiro é descrito como uma pessoa do círculo próximo de Motta e atua nas articulações políticas do deputado na Paraíba, reduto eleitoral do presidente da Câmara. A relação dos dois é tratada por aliados como uma “amizade da vida toda”.
Esse seria um outro motivo para que Pinheiro não fique coordenando o processo da operacionalização das emendas de forma definitiva, já que ele costuma ajudar Motta nas campanhas políticas.
Neste ano, além de buscar a reeleição como deputado federal, o presidente da Câmara quer eleger seu pai, o prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos-PB), para uma vaga ao Senado.
Segundo informações do boletim administrativo da Câmara, Pinheiro foi nomeado no gabinete de Motta pela primeira vez em 2011 e exonerado em fevereiro de 2025. Atualmente, está lotado no gabinete da Presidência da Casa, em cargo de natureza especial, com remuneração bruta de R$ 23 mil.