‘Quanto custou não fazer?’, questiona Lula sobre falta de investimentos sociais no Brasil
Por Brasil 247 Quarta-Feira, 10 de Junho de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou, nesta quarta-feira (10), a forma como investimentos públicos em áreas sociais são frequentemente classificados como gastos e defendeu que o país passe a discutir “quanto custou não fazer” políticas estruturantes, como educação, saúde, reforma agrária e inclusão da população mais pobre no orçamento.
Durante a 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), conhecido como Conselhão, realizada no Palácio do Itamaraty, em Brasília, Lula abordou temas ligados ao desenvolvimento econômico, à inclusão social e à segurança pública. O encontro teve como mote “Da soberania nacional ao protagonismo global” e reuniu representantes do governo, da sociedade civil e do setor empresarial para discutir metas de desenvolvimento nacional até 2035 e políticas sustentáveis.
Ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, Lula afirmou que o Brasil vive um momento de avanços, mas também de disputa política marcada pela velocidade da desinformação nas redes digitais. Segundo ele, “a narrativa e o argumento não valem mais nada” em um ambiente no qual “o que vale é a rapidez da mentira nas redes digitais”.
O presidente defendeu que a democracia não se limite ao voto e afirmou que projetos nacionais devem ser construídos e fiscalizados de forma coletiva. “Eu só quero que, um dia, a gente esteja com esse país tão preparado que as pessoas não precisem votar, sabe, numa pessoa pela pessoa. Que as pessoas votem num projeto político”, disse.
Lula também afirmou que a economia brasileira está em trajetória correta, embora tenha ponderado que o crescimento precisa ser acompanhado de distribuição de renda. “Obviamente que eu gostaria de crescer 10%. Mas o importante não é o quanto você vai crescer. O importante é se o que você crescer é distribuído”, declarou.
Ao tratar de investimentos sociais, Lula criticou o uso da palavra “gasto” para desqualificar políticas públicas voltadas à população pobre. “Nesse país, a gente nunca conseguiu avançar o que precisava avançar, porque existe uma palavra, uma desgrata de uma palavra chamada gasto”, afirmou.
Na sequência, o presidente disse que ações voltadas à população mais vulnerável são frequentemente apresentadas como despesas excessivas. “Tudo que a gente quer fazer para o pobre, aparece gente dizendo: 'não, isso gasta muito, isso gasta muito'. Investir na avaliação, na salvação, gasta muito. Investir na universidade, gasta muito. Investir no Instituto Federal, gasta muito”, declarou.
O presidente reforçou que o Brasil precisa calcular o prejuízo histórico provocado pela ausência de políticas públicas em momentos decisivos. “Ou seja, nós vamos ficar discutindo quanto custa e não discutir o quanto custou não fazer? Quanto que o Brasil perdeu no alfabetizar o povo na década de 50, quando começou o êxodo rural? Quanto que o Brasil perdeu por não ter feito a reforma gária na década de 50, quando foi feito, inclusive, no Japão? Quanto que o Brasil perdeu de não investir em tecnologia na hora certa e não investir na saúde na hora certa?”, questionou.
Lula citou ainda políticas de reconhecimento territorial e afirmou que seu governo tem avançado em demarcações e registros. Ao mencionar uma entrega prevista para quinta-feira (11), dirigida a mulheres quilombolas, ele disse que o governo terá entregue, em três anos e quatro meses, “48% de tudo que é terra quilombola registrada nesse país”.
O presidente também criticou a reação de setores que, segundo ele, se incomodam quando políticas públicas beneficiam indígenas, quilombolas, populações pobres e áreas de preservação. “Cada reserva florestal que a gente faz, cada terra indígena que a gente legaliza, cada benefício que você dá para um pobre, aqueles que estavam acostumados que o país fosse só deles, ficam irritados”, afirmou.