Roberto Fortunato: Lá se vai um dos últimos remanescentes da velha guarda do rádio patoense
Por Vicente Conserva - 40 Graus Sexta-Feira, 2 de Julho de 2021
O rádio de Patos amanheceu nesta sexta-feira (02) mais triste e sem a emoção de uma de suas mais belas vozes. A morte repentina do radialista Roberto Fortunato de Amorim, vítima de complicações da Covid-19, deixará sem dúvidas suas lacunas.
Roberto, no auge de seus 67 anos, era um dos poucos remanescentes do rádio de antigamente com voz aveludada, algo raro nos dias hoje, que guardava ainda os traços do velho rádio: voz sempre empostada e em tom seríssimo de passar a notícia. Esse rádio praticamente não existe mais.
No rádio, iniciou sua carreira nos anos 80 na então Rádio Panati de Patos. Fortunato era um dos poucos remanescentes da velha guarda do rádio patonense.

Dono de uma voz aveludada e inconfundível, passou por diversas emissoras como Panati AM e FM, Itatiunga AM e FM, além da Rádio Espinharas AM e FM onde teve diversas passagens.
Ao lado padre Albertino, foi um dos fundadores da Rádio Morada do Sol FM.
Fortunato era hoje um dos membros da bancada do jornal principal da Espinharas FM e um dos mais antigos profissionais do rádio em atividade na cidade de Patos.
Apresentava atualmente o Jornal Espinharas Notícias, da Rádio Espinharas FM, das 12 às 14h, ao lado dos jornalistas Marcos Oliveira e Higo de Figueiredo.
“Perdi um amigo, e o rádio de Patos, um grande profissional, vai com Deus meu amigo”, disse Marcos Oliveira, coordenador de jornalismo da Rádio Espinharas.

Torcedor fanático do Fluminense, nunca também escondeu uma de suas paixões: estar em roda de amigos, jogando conversa fora e tomando aquela gelada.
Roberto Fortunato por onde passou deixou suas marcas de bom profissional, sempre sério, às vezes sério até demais e de poucas risadas com colegas de trabalho, de humor pouco visível, mas de sorrisos quando achava necessário, sempre a seu modo e no seu tempo.
Difícil é encontrar em Patos algum profissional de noticiário que não dividiu bancada com Roberto Fortunato. Por todos os jornalísticos radiofônicos por onde atuou, deixou sua marca: sempre pontual, sério no que fazia e perfeccionista.
Foi incentivador de grandes nomes do rádio, inclusive, do editor que vos escreve.
Sem dúvida, o velho rádio já não será mais o mesmo sem a voz marcante de Roberto Fortunato. Sem dúvidas, uma das mais belas vozes de suas ondas sonoras.
Morte repentina
O radialista havia testado positivo para covid-19, e chegou a ser levado para o Complexo Hospitalar Regional de Patos, mas saiu por conta própria nesta quinta-feira, 01 de julho.
Roberto vinha enfrentando problemas de saúde, segundo informou o seu irmão, Luciano Fortunato. Ele relatou que de fato na quarta-feira, dia 30, ele procurou o Hospital Regional de Patos após sentir dores no estômago por conta de uma hérnia. O radialista estava com sobrepeso, com 143 quilos.
Passou por alguns exames, e lá no Hospital, testou positivo para doença. Aflito, ele não teria aceitado ficar no Hospital e resolveu sair sem o consentimento médico e se propôs a assinar um Termo de Responsabilidade. Ele estava numa Ala Verde aguardando outros exames.
Segundo os familiares, Roberto foi encontrado já sem vida dentro do banheiro de sua residência, localizada na Rua Carlota César, bairro Belo Horizonte em Patos.
A causa da morte ainda não foi devidamente explicada, mas familiares acreditam que possa ser em decorrência de complicações da doença ou do problema anterior que ele já tinha.
Há menos de um mês atrás, a radiofonia da cidade sentia a morte de outro colega, o radialista patoense Fábio Diniz, de 44 anos, que morreu na tarde da sexta-feira, 04 de junho de complicações da Covid-19, na UTI do Complexo Hospitalar Regional de Patos.