Nome de Aguinaldo Ribeiro aparece em anotações apreendidas pela PF; deputado recebeu R$ 102 milhões em emendas
Por Poder PB Domingo, 12 de Julho de 2026
O nome do deputado federal paraibano Aguinaldo Ribeiro (PP) aparece em anotações encontradas no celular de Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, assessora da Câmara dos Deputados que atuava diretamente na articulação e operacionalização de emendas parlamentares.
O aparelho foi apreendido pela Polícia Federal durante uma investigação que tramita sob sigilo e busca esclarecer como funcionava a distribuição de bilhões de reais em emendas de comissão dentro da Câmara. Entre os nomes que aparecem no material analisado pelos investigadores estão figuras poderosas da política nacional, como o ex-presidente da Câmara Arthur Lira, o ex-deputado Eduardo Cunha e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
A presença de Aguinaldo nas anotações ganha ainda mais relevância diante do volume de recursos controlados pelo parlamentar paraibano. Em 2024, ele foi o segundo deputado federal que mais recebeu recursos de emendas de comissão em todo o país, com R$ 102 milhões, ficando atrás apenas de Arthur Lira, então presidente da Câmara, que concentrou R$ 255,3 milhões.
Os R$ 102 milhões são apenas de emendas de comissão e não incluem emendas individuais ou recursos da bancada estadual destinados pelo parlamentar. Aguinaldo recebeu o montante após atuar como relator da reforma tributária, uma das principais matérias aprovadas pelo Congresso nos últimos anos.
A investigação ganhou força após a PF acessar mensagens, planilhas e anotações armazenadas no telefone de Tuca. Os investigadores apuram a existência de um núcleo informal de decisões que teria influenciado a indicação e o direcionamento das emendas, inclusive com a participação de pessoas que não exerciam mandato parlamentar.
Um relatório da Polícia Federal atribuiu, por exemplo, a Valdemar Costa Neto a indicação de R$ 111,8 milhões em emendas de comissão em 2024. O valor supera o destinado por 512 dos 513 deputados federais, embora Valdemar não ocupasse cadeira no Congresso. Apenas Arthur Lira controlou uma quantia maior.
Até o momento, a simples presença do nome de Aguinaldo Ribeiro nas anotações não significa que o deputado tenha cometido alguma irregularidade. O conteúdo integral do celular e o contexto exato das referências permanecem sob sigilo. A descoberta, no entanto, coloca o parlamentar paraibano no centro de uma investigação que tenta revelar quem realmente comandava e como eram distribuídas as milionárias emendas de comissão na Câmara Federal.