Imagens mostram professora colocando fogo na sua própria casa em Patos
Por Vicente Conserva - 40 graus Quinta-Feira, 5 de Junho de 2025
Imagens do circuito interno de segurança conseguidas pela reportagem do Portal 40 Graus, mostram a professora Kelly Keltylly Faustino Lucena, de 33 anos, colocando fogo no sofá de sua residência localizada no Bairro Santa Clara, em Patos-PB.
As imagens mostram claramente uma mulher com uma vela na mão e se agachando para atear fogo no sofá na sala da casa. Era exatamente 20h38 segundos do sábado, dia 31 de maio, do corrente ano, quando a primeira vela é acesa.

Pouco mais de um minuto depois, às 20h 1 minuto e 40 segundos, ela aparece nas imagens acendendo uma segunda vela no mesmo sofá. Ao fundo, um painel com fotos da família em raros momentos de felicidade.

São 20h 6 minutos e 44 segundos quando outras fotos mostram ela se mostrando preocupada para ver se vem alguém. Enquanto isso, o fogo começa a se propagar mais fortemente pelo sofá.

Veja que sem notar o perigo, o cãozinho passeia pela sala bem próximo ao fogo.

Menos de um minuto depois, às 20h 7 minutos e 6 segundos, já é possível perceber que as chamas começam a aumentar e se espalhar pelo sofá.

Após isso, as chamas tomaram de conta de parte da residência estavam Kelly, seu filho de 1 ano e 7 meses e o companheiro Francisco Janailson.
A genitora de Kelly, a senhora Maria Faustino Lucena, de 58 anos, em sua casa, fica sabendo por vizinhos que a casa da filha estava sendo incendiada.
Mesmo distante, Maria Faustino tomou a decisão fatídica de correr com todas as suas forças até chegar na casa em chamas. Sem medir a dimensão do risco e apenas pensando em salvar a família, ela entra na casa, vai até o quarto e consegue resgatar o seu neto, que estava indefeso diante das chamas que se alastravam.

Mal sabia ela que o ato heroico lhe custaria a sua própria vida dias depois de internação.
Já Francisco Janailson relatou que conseguiu correr para o muro e saiu tendo ajuda de um dos vizinhos. O Corpo de Bombeiros e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foram acionados chegando minutos depois ao local.

Os bombeiros começaram os procedimentos de contenção das chamas e de resgate dos feridos e conseguiram apagar o fogo que já consumia boa parte da casa.


Kelly e sua mãe foram socorridas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) para o Hospital Regional de Patos e depois, devido a gravidade das queimaduras e ferimentos, foram transferidas para o Hospital de Emergência e Trauma de Campina Grande.

Porém, Maria Faustino veio a óbito na tarde desta quarta-feira, dia 04 de junho, devido à consequência da gravidade do seu quadro clínico. Ela havia sofrido queimaduras em cerca de 40% da superfície corporal, com lesões graves na face e vias aéreas, o que agravou seu estado clínico já tendo chegado entubada ao hospital.
Estado de saúde dos sobreviventes
O Hospital de Emergência e Trauma Dom Luiz Gonzaga Fernandes, em Campina Grande, divulgou na noite desta quarta-feira (04) o último Boletim Médico sobre o estado de saúde da mãe e filho.
De acordo com o médico Henry Leite, responsável pelo acompanhamento das vítimas, a professora Kelly continuava em estado grave internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), porém, apresenta sinais de melhora clínica e hemodinâmica.
Ainda segundo ele, Kelly teve melhora no débito urinário e na função renal, o que permitiu sua alta do acompanhamento da Nefrologia ontem.

Já o filho de Kelly, um bebê de apenas 1 ano e 7 meses, também segue internado na UTI Pediátrica. Após apresentar uma complicação clínica na terça-feira (03), a criança precisou ser entubada. De acordo com o boletim médico, ela encontra-se sedada e faz uso de drogas vasoativas, com quadro geral considerado grave.
Briga familiar
A mãe e a irmã de Francisco Janailson, relataram logo após o ocorrido que Kelly Ketyly e ele estavam vivendo um relacionamento conturbado e de conflitos permanentes há alguns meses.
De pronto, os familiares colocaram a responsabilidade do trágico incidente nos ombros da professora.
Conforme relatos, ao chegar em casa, Kelly começou uma discussão verbal com Janailson. Minutos depois, ela teria acendido uma vela e jogado álcool sobre uma poltrona da sala e logo o fogo se alastrou rapidamente.
Parte de uma conversa entre o casal mostra o momento em que ela teria ameaçado atear fogo na residência. Kelly relata que, se Janailson voltasse para casa, ela atearia fogo.

Segundo parentes dele, Kelly chegou embriagada e em momento de loucura cometeu o ato insano. O filho Francisco conversa antes com a mãe e relata que ela já estaria colocando fogo na casa e não ia se responsabilizar.


Investigação em curso
A Polícia Civil, através do delegado Claudionor Lúcio, da Delegacia de Homicídios e Entorpecentes (DHE) de Patos, abriu investigação, e segundo informações, já está de posse das imagens disponibilizadas pela família, bem como já ouviu várias pessoas.
As imagens serão prepoderantes para polícia chegar a uma conclusão sobre o caso.