Confira a íntegra do áudio em que Flávio Bolsonaro pede dinheiro a Daniel Vorcaro
Por Brasil 247 Quarta-Feira, 13 de Maio de 2026
O Intercept Brasil divulgou o conteúdo do áudio enviado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no qual o parlamentar cobra recursos para a continuidade do filme Dark Horse, produção inspirada em Jair Bolsonaro.
Na gravação, Flávio afirma que a equipe atravessava um dos momentos “mais difíceis” da produção e demonstra preocupação com o atraso nos pagamentos relacionados ao longa-metragem. O senador cita diretamente o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh, alertando para o risco de desgaste internacional caso os compromissos financeiros não fossem honrados.
Segundo o Intercept, o áudio integra um conjunto de mensagens, documentos e comprovantes bancários que indicariam uma negociação milionária entre Vorcaro e integrantes do clã Bolsonaro para financiar o filme.
Flávio fala em “momento decisivo” do filme
Na mensagem enviada ao banqueiro, Flávio Bolsonaro afirma que preferiu gravar um áudio para explicar a situação “com calma” e reconhece o constrangimento de continuar cobrando recursos financeiros.
“Irmão, preferi mandar o áudio aqui para você ver com calma”, inicia o senador.
Em seguida, Flávio descreve o cenário vivido pela equipe da produção:
“A gente está passando por um dos momentos mais difíceis da nossa vida. Não sei como vai ser daqui para frente, mas isso tudo vai acabar. Está nas mãos de Deus”, afirmou.
“Imagina a gente dar calote no Jim Caviezel”
O senador também diz compreender o momento vivido por Daniel Vorcaro, que à época já enfrentava pressão em torno do Banco Master e investigações financeiras.
“Eu sei que você também está passando por um momento dificílimo, com essa confusão toda, sem saber exatamente como isso tudo vai caminhar”, disse Flávio.
Na sequência, ele admite o desconforto em continuar pressionando o banqueiro por dinheiro:
“Apesar de você ter dado liberdade para a gente te cobrar, Daniel, eu fico sem graça de ficar insistindo”.
O parlamentar afirma que a produção vivia uma fase decisiva e que os atrasos poderiam comprometer todo o projeto cinematográfico.
“Mas é que estamos em um momento muito decisivo do filme. Como há muitas parcelas em atraso, todo mundo está tenso. Fico preocupado com o risco de acontecer o contrário do que a gente sonhou para esse projeto”, declarou.
Flávio então cita diretamente os nomes internacionais envolvidos na produção:
“Imagina a gente dar calote no Jim Caviezel, no Cyrus, em nomes tão renomados do cinema americano e mundial. Isso poderia ser muito ruim”.
“Podemos perder tudo”
No áudio, o senador afirma que os atrasos poderiam transformar o impacto político esperado do filme em um problema de imagem.
“Todo o efeito positivo que a gente acredita que esse filme pode gerar poderia se transformar em algo negativo”, disse.
Ele também pede uma definição urgente sobre os repasses financeiros:
“Então, se você puder me dar um toque, uma posição, a gente precisa saber o que fazer. Já temos muitas contas para pagar este mês e no mês que vem também”.
Em tom de alerta, Flávio afirma que a reta final do projeto exigia estabilidade financeira imediata.
“Agora, na reta final, a gente não pode vacilar nem deixar de honrar os compromissos, porque senão podemos perder tudo”, afirmou.
O senador conclui dizendo que contratos poderiam ser rompidos caso os pagamentos não fossem feitos:
“Está tudo em contrato. Podemos perder ator, diretor, equipe — tudo, cara”.
Ao final da gravação, Flávio encerra em tom amistoso:
“Me dá um toque aí, irmão. Desculpa pelo áudio longo. Um abração. Fica com Deus”.
Intercept aponta pagamentos milionários
Segundo o Intercept Brasil, mensagens e documentos obtidos pela reportagem indicam que Daniel Vorcaro teria negociado um aporte de até 24 milhões de dólares — cerca de R$ 134 milhões na cotação da época — para financiar Dark Horse.
A reportagem afirma que pelo menos 10,6 milhões de dólares já haviam sido transferidos entre fevereiro e maio de 2025 para um fundo sediado no Texas, nos Estados Unidos, ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro negou ao Intercept irregularidades ou envolvimento financeiro indevido no projeto. Questionado pela reportagem, o senador respondeu: “De onde você tirou essa informação? É mentira”.