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Davi Alcolumbre negocia libertação de Bolsonaro em apoio do PL à reeleição no Senado

Por JETSS   Segunda-Feira, 2 de Novembro de 2026

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), busca um acordo político que permita a saída de Jair Bolsonaro (PL) da prisão e atraia o apoio da direita à sua reeleição para o comando da Casa, em fevereiro de 2027. As propostas ainda estão em avaliação e nenhuma foi definida.

Uma possibilidade cogitada é apresentar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a proposta de conceder um indulto humanitário a Bolsonaro. Alcolumbre, porém, ainda não levou a ideia ao petista. A iniciativa dependeria do apoio de Lula e do PT, considerado improvável no momento. A alternativa com maior possibilidade de avançar seria uma anistia no Congresso Nacional.

A eventual anistia poderia ser barrada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que já indicou entender que crimes políticos não podem ser perdoados. Alcolumbre considera que a articulação poderia atender a dois objetivos: obter o apoio da bancada do PL e enfraquecer candidaturas rivais, como as de Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS), e diminuir a pressão por impeachment de ministros do Supremo. O senador é amigo pessoal de Alexandre de Moraes e se opõe à sua saída do cargo.

Alcolumbre pretende apresentar a proposta como parte de um esforço de pacificação nacional. Na avaliação dele, algum tipo de perdão a Bolsonaro poderia reduzir a tensão entre os Poderes e afastar a ameaça de processos de impeachment contra integrantes do STF. Para a anistia avançar, também seria necessário um entendimento com Lula, a fim de evitar um veto presidencial ou a mobilização da base do governo contra a iniciativa.

A intenção seria liberar Bolsonaro da prisão sem devolver seus direitos políticos. O ex-presidente está inelegível até pelo menos 2060, em razão de condenações na Justiça Eleitoral e no processo da trama golpista. A proposta, no entanto, enfrenta resistência entre parlamentares de direita, que citam o Projeto de Dosimetria. Aprovado pelo Congresso após mudanças em uma proposta que previa anistia, o texto final tratava da redução de penas, mas foi barrado pelo STF depois de promulgado. Alexandre de Moraes é o relator.

Integrantes do PL afirmam que Alcolumbre rompeu pontes com o grupo e que não há perspectiva de reconciliação. O impeachment de Moraes é uma prioridade para a legenda, e seus principais interlocutores não têm demonstrado disposição para ouvir o presidente do Senado. O partido decidiu lançar candidatura própria: Rogério Marinho é o principal nome e deve ser oficializado em reunião da bancada marcada para 4 de novembro.

A partir de 2027, o PL terá 29 senadores, número que poderá aumentar com a posse de dois suplentes do partido. Sergio Moro (União Brasil), eleito governador do Paraná, e Cleitinho Azevedo (Republicanos), eleito em Minas Gerais, serão substituídos por políticos da legenda de Bolsonaro. Há negociações com outros três senadores, que poderiam elevar a bancada a 34, ainda insuficientes para eleger o presidente do Senado. Tereza Cristina também se movimenta para disputar o posto. Marinho teria mais apoio no primeiro turno, mas dificuldade para crescer no segundo; Tereza, se chegasse à etapa final, provavelmente venceria Alcolumbre.

A eleição será realizada em fevereiro de 2027, com a posse dos novos congressistas. O PL terá a maior bancada, com 29 das 81 cadeiras, enquanto o Novo contará com três senadores que tendem a votar juntos. Alcolumbre tem apoio de setores do centro e da esquerda, mas precisa chegar a 41 votos. A votação é secreta, e ele afirma contar com 48 apoios. A federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, já sinalizou apoio à sua recondução, embora parte dos parlamentares eleitos pelas siglas ainda não tenha definido posição.

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