Jovens estão mais propensos a morrerem de Covid-19, alertam profissionais de Patos
Por Vicente Conserva - 40 Graus com Patosonline Segunda-Feira, 21 de Junho de 2021
É cada vez maior o número de pessoas mais jovens acometidas pela Cobid-19-, doença causada pelo novo Coronavírus. O alerta foi dado pelo diretor do Complexo Hospital Regional de Patos Dep. Janduhy Carneiro, Francisco Guedes, em entrevista a um programa de rádio local nesta segunda-feira (21).
Tudo isso seria fruto de variantes mais agressivas que predominam hoje na cidade de Patos que têm se mostrado mais contagiosas e letais.
Apesar de não informar que variante predomina na cidade atualmente, ele ressaltou que o que se constata é que ela vem acometendo mais pessoas jovens, principalmente na faixa etária entre 30 e pouco mais de 40 anos.

Mesmo sem comorbidades, pacientes de pouca idade estão apresentando menos força para lutar contra a doença por terem baixa resistência. Como a doença ataca os pulmões, muitos já são intubados diretamente, e a ventilação mecânica em 75% dos jovens tem sido mortal.
Na maioria dos casos, os jovens não chegam a passar muitos dias internados, o que revela uma preocupação, pois há pouco tempo para tratar uma doença que evolui muito rapidamente, quando as respostas dos pacientes são bastante lentas.
De acordo com o médico Pedro Augusto Dias Timóteo, “todos têm notado a superlotação nos hospitais, principalmente com pacientes em UTI, e a mudança na faixa etária dessa doença. São agora pacientes jovens, alguns sem comorbidades. Mas é impressionante as mutações que esse vírus sofreu durante essa pandemia. Antes era um vírus que tinha predileção por pacientes idosos, com comorbidades, normalmente diabéticos. Depois ela foi alterando para pacientes idosos sem comorbidades, mas hoje o foco são pacientes jovens, normalmente o fator de risco é a obesidade, uma doença que já é inflamatória por natureza, então esses pacientes já tendem a apresentar pressão alta, níveis glicêmicos altos, e essa cascata inflamatória nos pacientes jovens tem sido inesperadas por muitos médicos”.

O médico disse ainda que, neste momento, tem crescido os casos de jovens acometidos pela doença, e trouxe uma informação preocupante. Segundo Pedro Augusto, esses pacientes apresentam mais fragilidade e acabam não resistindo por conta da gravidade da inflamação.
“Os jovens são pacientes que em um ou dois dias no hospital evoluem muito pouco, e o comprometimento pulmonar é muito importante. A troca gasosa muito ruim e eles precisam ser intubados, e é muito importante que esse é um ato de tentar salvar o paciente, que não está respirando por nenhum outro método, então é a única chance de sobreviver. A mortalidade em pacientes com ventilação mecânica é alta não pelo ato da ventilação, mas pela gravidade da doença. A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) publicou um estudo que afirma que mortalidade gira em torno de 75% dos pacientes com ventilação mecânica. A gravidade dessa doença leva o paciente a óbito”, explicou o médico.
“O que chama a atenção, como esses pacientes são muito jovens, uma coisa que está sendo estudada, é que os pacientes idosos já passaram por vários momentos traumáticos em suas vidas, e o organismo meio que vai se preparando para esses momentos. Ele começa a aumentar a produção de substâncias que têm a função de proteger contra alguma reação inflamatória, contra algum trauma. Mas um paciente jovem passou por poucos traumas em sua vida e não tem doenças que levam a esse estresse orgânico, então ele responde pior à inflamação, porque não tem defesas. Quando recebe uma carga viral muito alta, o processo inflamatório é muito avançado, são pacientes que já chegam ao hospital tendo que ir direto para a UTI, por exemplo, tento que ser intubado. Eles geralmente chegam e já precisam ser intubados”, explicou o médico.
Para os especialistas, o aumento de jovens com complicações da Covid-19 é um reflexo, também das novas variantes do coronavírus, que além de mais contagiosas levam a quadros mais graves.