FUNGO NEGRO: dois casos de mucormicose são investigados na Paraíba; um na região de Patos
Por Bárbara Wanderley e Vicente Conserva Segunda-Feira, 7 de Junho de 2021
Dois possíveis casos de mucormicose, doença também conhecida como fungo negro ou fungo preto, são investigados na Paraíba. Uma das pacientes, do município de Areia de Baraúnas, morreu após um período de internação no Hospital Universitário de João Pessoa.
Em entrevista à TV Cabo Branco, o secretário de Saúde da Paraíba, Geraldo Medeiros, explicou que o fungo afeta principalmente pacientes imunossuprimidos e diabéticos diagnosticados com a Covid-19. “Temos um outro caso que brevemente pode ser confirmado ou não”.
O secretário ressaltou que o fungo não é contagioso, mas pode ser fatal. As estatísticas apontam que a mucormicose causa a morte de mais da metade das pessoas acometidas pela doença. Mesmo quando sobrevivem, é comum que os pacientes precisem passar por cirurgias mutilantes para retirar partes do corpo afetadas pelo fungo, como os olhos.
A mucormicose não é uma doença nova e já circulava no Brasil, mas não era preocupante porque a maior parte das pessoas tem defesas para lidar com o fungo. Com a covid-19, porém, vêm sendo registrados mais casos, nas pessoas que estão com a imunidade comprometida. Na Índia, o fungo já foi detectado em 9 mil pacientes de covid-19.
Caso de Areia de Barúnas
Ladrierna Elídio de Andrade Silva, de 35 anos, residente no Distrito de Bananeiras, em Areia de Baraúnas, morreu no dia 13 de maio deste ano, em João Pessoa, no Hospital Universitário (HU) onde se tratava de uma bactéria alojada que acabou levando a morte.
Segundo a família, o quadro clínico dela se agravou em poucos dias, chagando a causar infecção no cérebro após necrosar parte do rosto.
Assim como casos relatos na Índia, Ladrierna testou positivo para Covid-19, ficou bastante debilitada e chegou a ter um Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Após isso, ela começou a sentir dores no rosto que levaram os familiares a crer que se tratava de um problema dentário, mas logo surgiu o inchaço no olho e pouco tempo depois se agravou com vermelhidão e paralisia facial do lado afetado.

O problema paralisou parte do rosto e até atingindo o cérebro. A face ficou completamente desfigurada e a necrose escura.
19 dias depois, Ladrierna estava sem vida numa evolução extremamente rápida da doença. Médicos acreditam que a baixa imunidade após Covid-19 e outros fatores podem ocasionar a doença.
Os médicos do Hospital Universitário pediram permissão à família para que o caso fosse estudado com mais profundidade. O esposo de Ladrierna disse que concedeu e em breve espera que um diagnóstico preciso seja detalhado.
Anteriormente, a paciente esteve no Hospital Regional de Patos onde passou alguns dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
A vítima era esposa do vereador José Júnior Américo Silva (PROS), da cidade de Areia de Baraúnas.