Açudes Jatobá, Farinha e Capoeira estão quase em colapso total em Patos
Por Vicente Conserva Quarta-Feira, 25 de Outubro de 2017
Os três mananciais que abastecem o município de Patos, no Sertão da Paraíba, estão praticamente secos e em situação de quase colapso total. Jatobá, Farinha e Capoeira, juntos, são responsáveis por grande parte do abastecimento da cidade que sofre há anos com a forte estiagem.
O açude do Jatobá que tem capacidade armazenar 17.516.000m³, tem hoje apenas 357.330m³, ou seja, com 2,04%, segundo a última medição feita em 9 de outubro.
A barragem da Farinha também está à beira de um colapso total. Tendo capacidade para armazenar até 25.738.500m³, o manancial tem hoje somente 612.670m³, 2,38% da sua capacidade, segundo a última medição feita em 16 de outubro.
A situação menos caótica, mas que causa preocupação também, é a Barragem de Capoeira que tem capacidade total de 53.450.000m³, mas hoje só tem 5.827.009m³, 10,90%, segundo os últimos dados coletados em 4 de outubro.
Com isto, Patos hoje está sendo abastecida pelos açudes Coremas e Mãe D’água que aos poucos também começam a entrar em situação de calamidade total.
Atualmente, o açude de Coremas, que tem uma capacidade de 591.646.222 m³, acumula apenas 6% do volume total, e está na lista dos reservatórios em situação de observação. Já o de Mãe D’água, que tem capacidade de 567.999.136, está com 4,27% de água, sendo um dos 49 açudes do estado em situação crítica.
Com precipitações abaixo da média nos últimos meses, a segurança hídrica dos reservatórios fica em xeque. A Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (Aesa) trabalha com a percepção de que o abastecimento normal nas cidades que recebem águas desses açudes está garantido até março do ano que vem.
A expectativa do órgão, no entanto, é de que as chuvas de janeiro possam melhorar essa perspectiva e garantir uma segurança hídrica por mais tempo.
Esses reservatórios abastecem os municípios de Cajazeirinhas, Pombal, Vista Serrana, Paulista, Catolé do Rocha, Brejo do Cruz, Belém do Brejo do Cruz e São Bento e atendem cerca de 200 mil habitantes.
O presidente da Aesa, João Fernandes, avaliou a situação do Sertão. “A gente tem monitorado e vamos conseguir manter o abastecimento até março do ano que vem. Mas realmente a situação não é fácil, visto que não tem chovido no Sertão. Já são sete meses chovendo abaixo da média. Se daqui para lá não melhorar isso, vamos analisar melhor o caso e buscar soluções”, explicou.
Eixo norte da transposição pode ajudar
As águas do São Francisco já chegaram à Paraíba, mas ainda não alcançaram os reservatórios do Sertão. Isso porque apenas o eixo leste, que tem um trecho em Monteiro e leva água para o Cariri e Agreste, que está em funcionamento. O eixo norte, por outro lado, segue em construção. A previsão do governo federal é de que a obra se encerre no primeiro semestre de 2018.
Com 260 quilômetros de extensão, o trecho captará a água do Rio São Francisco, em Cabrobó (PE), e a conduzirá até boa parte do Sertão do paraibano, além do Ceará e Rio Grande do Norte. João Fernandes lembrou que com o funcionamento desse eixo, a situação do abastecimento do Sertão do estado deve melhorar.
