Geraldo Azevedo diz que violão o salvou da solitária na ditadura
Por GShow Sábado, 22 de Agosto de 2020
Em meio à pandemia, muitos brasileiros estão sofrendo com a saudade dos encontros entre amigos. De forma virtual, Pedro Bial viabilizou, no programa de sexta-feira, 21/8, o reencontro de dois artistas essenciais para a música e arte brasileira. Eliana Pittman e Geraldo Azevedo falaram sobre a amizade, música e o Brasil durante a ditadura.
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Geraldo Azevedo é o convidado de Pedro Bial — Foto: Reprodução/TV Globo
Após agradecer Eliana por guiar o começo de sua carreira, o compositor pernambucano relembrou alguns momentos de sua primeira prisão política, em 1969. Na ocasião, a repressão o perseguiu por conta de um protesto contra a censura.
A Bial, ele contou como a música o ajudou a suportar os dias na prisão. “Os primeiros dias foram muito difíceis porque era muito violento, mas o que me salvou foi o violão.”
O artista passou vinte dias em uma solitária e escapou após tocar violão para os oficiais. “Um cara chegou e disse: ‘traga um violão para esse cara para ver se ele é músico mesmo’”.
“Aquele torturador que enfiava estiletes em minhas unhas, que tinha me dado choque elétrico, que tinha me dado porrada e tudo… Quando eu comecei a tocar, ele ficou sensibilizadíssimo.”
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Geraldo Azevedo também cantou alguns de seus sucessos — Foto: Reprodução/TV Globo
No dia seguinte, Geraldo saiu da solitária para uma cela coletiva. Com Eliana e Bial emocionados, o pernambucano também deu detalhes sobre sua segunda prisão, em 1975, e as apresentações que organizava diariamente com os colegas vítimas da repressão.