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Patos das Letras: Cena literária patoense revela destaques dentro e fora da cidade

Por Junior Misaki   Quinta-Feira, 3 de Setembro de 2026

A Paraíba é reconhecida nacionalmente pela força de sua produção literária, e o Sertão paraibano também tem contribuído para esse cenário. Em Patos, uma nova geração de escritores, poetas, pesquisadores e artistas vem movimentando a literatura local e conquistando espaços para além das fronteiras do município.

Embora essa efervescência ainda passe despercebida por boa parte da população, a cidade vive um momento de intensa produção literária. Nos últimos anos, especialmente a partir da pandemia de Covid-19, o surgimento de mecanismos de incentivo à cultura possibilitou que novos autores publicassem suas obras, desenvolvessem projetos e levassem a literatura para escolas, feiras, eventos culturais e diferentes espaços do país.

O movimento, entretanto, ainda enfrenta desafios. A ausência ou a descontinuidade de políticas públicas permanentes de incentivo à leitura e à literatura faz com que boa parte dessas iniciativas permaneça restrita aos circuitos culturais e às redes sociais. Enquanto isso, municípios próximos vêm desenvolvendo ações que colocam a literatura em evidência, como Maturéia, com o trabalho desenvolvido em sua biblioteca municipal, e entre as iniciativas que contribuem para a movimentação literária da região está a Confraria dos Escritores da Paraíba, gerida pelo escritor e engenheiro José Motta Vitor o grupo reúne não apenas escritores, mas também intelectuais ligados às artes e profissionais de diferentes áreas.

Anualmente, os integrantes participam de lançamentos e publicações coletivas, além de promoverem ações em parceria com instituições e fundações, dentro e fora de Patos. A iniciativa tem ajudado a fortalecer os vínculos entre autores e a ampliar a circulação da produção literária local.

Novos livros e autores ganham espaço

Entre os nomes que vêm se destacando está a professora Arlene Lima, autora de Terra Morta, obra lançada recentemente e que amplia sua trajetória no campo literário. Outro destaque é o jornalista Misael Nóbrega, que retornou à literatura após um período afastado das publicações. Seu livro de poemas Sós teve lançamento marcado pela presença do público na Casa de Cultura Amaury de Carvalho, em uma noite de autógrafos que lotou o espaço. Misael também prepara um novo projeto literário, resultado de sua contemplação em edital da Lei Aldir Blanc do município, o mesmo edital contemplou o escritor Damião Lucena, que tam bém desenvolve uma publicação na área.

A professora Nádia Farias é outro nome que vem ampliando a circulação da literatura produzida em Patos. Com livros divulgados em diferentes regiões do país, a autora participa atualmente da Feira Literária de Goiás como palestrante convidada. Já a escritora veterana Kilmara Rodrigues lançou recentemente Poesias sobre: artes, emoções, sentimentos e valores e também atua no fortalecimento da cultura do cordel.

A professora Maria José Vital, autora de Tropeços da Vida e Outros Escritos, levará sua produção para um dos principais eventos literários do país. A autora participará do lançamento de uma antologia durante a Bienal do Livro de São Paulo. Também integra esse cenário a poetisa Socorro Sousa, que prepara para setembro o lançamento da terceira e última parte de sua trilogia, Vi, Verei, Entre Versos e Rimas.

ESCRITORES FOTO

Literatura infantil e juvenil ganha protagonismo

Um dos segmentos que mais chama atenção na atual produção literária patoense é a literatura infantil e juvenil. Autores da cidade têm aproximado livros, música, teatro, audiovisual e educação, levando a literatura para públicos cada vez mais diversos.

O cineasta Deleon Souto, por exemplo, transformou seu filme Os Passos de Bia em livro. A obra vem circulando em projetos desenvolvidos em escolas, ampliando o alcance da narrativa originalmente concebida para o audiovisual. Outro nome de destaque é Junior Misaki, escritor e ilustrador que já alcança sua décima obra publicada. Seu trabalho reúne literatura, música e teatro no espetáculo Aventuras na Mala da Leitura com Junior Misaki, que vem circulando por diferentes cidades e espaços culturais.

A proposta tem aproximado crianças da literatura por meio de uma experiência que combina contação de histórias, música, cinema e interação com o público, em Patos, o trabalho também vem sendo reconhecido por escolas públicas e privadas, onde o artista tem participado de atividades e recebido homenagens.

A nova geração também encontra espaço na literatura patoense. Os irmãos João Miguel Marques e Maria Clara Marques vêm se destacando com obras voltadas para temas relacionados à inclusão. Os jovens autores têm sido convidados para participar de feiras e atividades literárias em diferentes espaços. João Miguel, que iniciou sua trajetória na escrita ainda aos oito anos, recentemente recebeu reconhecimento da Academia Sousense de Letras, ampliando a visibilidade de seu trabalho.

A presença de autores jovens demonstra que a literatura produzida em Patos não se limita a uma única geração. Pelo contrário, a cidade apresenta um cenário que reúne escritores veteranos, autores que retomam suas trajetórias e novos talentos que começam a construir seu espaço.

A literatura patoense também se manifesta por meio das histórias em quadrinhos e da arte sequencial. O policial e artista Aurélio Filho vem utilizando os quadrinhos para registrar homenagens a importantes nomes da cultura nordestina e paraibana. Entre as personalidades retratadas estão artistas como Pinto do Acordeon, Derréis e Ariano Suassuna.

O trabalho demonstra como os quadrinhos podem funcionar não apenas como entretenimento, mas também como instrumento de memória, valorização cultural e registro da história de personalidades que fazem parte da identidade regional.

Uma cena que ainda pode crescer

A diversidade de autores, gêneros e iniciativas aponta para um momento especialmente fértil da literatura em Patos. Poesia, prosa, literatura infantil, cordel, quadrinhos e adaptações audiovisuais fazem parte de uma produção que vem ultrapassando os limites geográficos da cidade.

O desafio, agora, é fazer com que essa movimentação chegue também a um público maior dentro do próprio município. Para isso, escritores e produtores culturais defendem, direta ou indiretamente, a importância de políticas públicas permanentes de incentivo à leitura, formação de leitores, realização de feiras literárias, fortalecimento das bibliotecas e criação de espaços de circulação para os autores locais.

Patos possui uma história literária marcada por diferentes gerações. O momento atual, porém, revela algo novo: uma produção diversificada, conectada às novas linguagens e cada vez mais disposta a ocupar espaços fora da cidade, e que timidamente estão sendo inseridos dentro de escolas e universidades.

Talvez a literatura patoense esteja vivendo justamente uma de suas fases mais produtivas. O que falta não parece ser talento ou produção, mas fazer com que esses livros, autores e histórias sejam conhecidos por toda a cidadee reconhecidos, cada vez mais, além dela.

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