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Retrospectiva 2018: As 10 maiores personalidades do cinema brasileiro neste ano

Por Redação 40 Graus   Domingo, 16 de Dezembro de 2018

As ondas de representatividade que inundaram Hollywood nos últimos anos finalmente parecem ter chegado com força total à sétima arte brasileira. Em um período sem destaques de produções do alcance de crítica e público como os recentes AquariusQue Horas Ela Volta?Bingo - O Rei das Manhãs e Como Nossos Pais, o cinema nacional foi agraciado em 2018 com a marca da diversidade.

A tendência reflete-se diretamente na lista preparada pelos críticos do AdoroCinema para eleger as 10 maiores personalidades das telonas brasileiras — e, ocasionalmente, internacionais — dos últimos 12 meses. Com uma predominância feminina (dos 12 profissionais selecionados, 8 são mulheres), a compilação deste ano também aprofunda uma curva evolutiva que já podia ser identificada nas quatro edições anteriores do presente selecionado do AdoroCinema: se em 2017 não haviam negros em posição de destaque no nosso Top 10, agora as coisas mudaram de figura, com três mulheres negras na lista.

Nota-se, por outro lado, a ausência de nomes de peso da comédia blockbuster nacional, tais como Halder GomesRoberto SantucciFábio Porchat ou Paulo Gustavo, que figuraram nas compilações dos anos anteriores. Isso se dá igualmente pelo fato de que nenhum dos títulos humorísticos lançados em 2018 equipararam-se aos êxitos retumbantes de produções como Minha Mãe é uma Peça 2 ou Até que a Sorte nos Separe 3, que levaram milhões e milhões de espectadores às salas de cinema.

Pulverizada entre filmes de diversos gêneros, as 10 grandes personalidades do cinema brasileiro vem de produções independentes e/ou marginais ao sistema. Confira a lista completa a seguir, bem como os rankings dos anos anteriores na última página:

10. Camila de Moraes

Natasha Montier

Em 2018, a jovem cineasta de 31 anos fez história: ela é apenas a segunda mulher negra com um filme lançado no circuito comercial brasileiro em toda a história do cinema nacional, após Adélia Sampaio com Amor Maldito (1984). O Caso do Homem Errado, documentário sobre um operário negro executado pelos militares no sul do país, estreou em março, em poucos cinemas, refletindo a dificuldade estrutural de exibir documentários nacionais, especialmente sobre um tema delicado como esse. “O cinema é um ambiente branco, machista, elitista, muito caro de se trabalhar”, ela afirmou ao Huffington Post, e completou: “Ter de ficar falando toda hora cansa, mas temos de falar para não ser invisíveis” (Bruno Carmelo).

9. Tatiana Lohman e Roberta Estrela D'Alva

Renato Nascimento

Mídia narrativa e artística tradicionalmente elitista, a poesia vem sendo apropriada por minorias ao redor do mundo em sua luta pelo estabelecimento de sua identidade. Este é um dos muitos objetos de interesse de SLAM: Voz de Levante, documentário/road moviesdas diretoras Tatiana Lohman e Roberta Estrela D'Alva (também protagonista e poetisa) sobre os Poetry Slams, concursos de poemas curtos e que, frequentemente, tocam em temáticas sociais e políticas. Juntas, Lohman e Estrela D'Alva não só colocam artistas undergrounds sob os holofotes, como também reafirmam a força das mulheres como documentaristas no Brasil (Renato Furtado).

8. Linn da Quebrada

Divulgação

“Bixa louca, preta, favelada, estranha, ensandecida, arrombada, pervertida”, diz a canção de autoria dela. Linn se tornou uma figura marcante do cenário queer, misturando música, teatro, performance e ativismo. O ano foi marcado pela presença explosiva da artista nos cinemas: ela começou 2018 apresentando Bixa Travesty no Festival de Berlim, coroado com o Teddy Award de melhor documentário, e depois representou o filme baseado em sua vivência nos Festivais de Brasília e Mix Brasil. Embora o projeto ainda não tenha estreado no circuito comercial, Linn foi vista nos cinemas brasileiros este ano em Sequestro Relâmpago e Abrindo o Armário, sinal de que os indivíduos LGBTQI ocupam um espaço cada vez mais importante da nossa produção (BC).

7. Marco Ricca

Fabio Braga/Folhapress

Poucos atores e poucas atrizes sequer chegaram perto de igualar a amplitude do trabalho de Marco Ricca neste 2018, seja em termos de quantidade, seja em termos de papéis distintos entre si. Ao passo em que o ator encontra seus momentos mais interessantes nos elogiados Rasga Coração e Aos Teus Olhos, onde protagoniza narrativas complexas e bastante atuais, também é preciso lembrar que ele fez parte do elenco do internacional Sueño Florianópolis e do drama Canastra Suja. A "hiperatividade" de projetos é a maior prova da versatilidade do veterano ator das telonas e telinhas (RF).

6. Marjorie Estiano

Vittorio Zunino Celotto/Getty Images

Enquanto Marjorie Estiano também poderia ser uma forte concorrente ao prêmio de maior número de aparições consistentes e relevantes nas telonas, a atriz debuta em nossa lista por outro motivo: a coragem de deixar os papéis convencionais para trás e se arriscar nas produções indie do cinema nacional. Assim, por mais que tenha feito parte de produções como Paraíso Perdido e Todo Clichê do Amor, Estiano repaginou sua carreira em As Boas Maneiras, o premiado e aclamado terror/conto de fadas da dupla Juliana Rojas e Marco Dutra. Entregando uma das melhores performances de 2018 ao lado de Isabél Zuaa, a atriz demonstra que está mais do que disposta a explorar outras possibilidades e outros lados de seu talento, muito além do que o público cativo das novelas está acostumado a ver (RF).

5. Murilo Benício

Figura carimbada da televisão brasileira, Benício nem sempre se faz muito presente no cinema. 2018 mudou esta impressão: além de estrelar o sangrento e tenso O Animal Cordial, interpretando um burguês psicopata com grande desenvoltura, ele apresentou seu primeiro longa-metragem como diretor: O Beijo no Asfalto, baseado na peça de Nelson Rodrigues. O resultado impressionou pela ambição de combinar cinema, teatro e making of, com atores bem dirigidos e imagens ambiciosas. Nasce um diretor generoso e ousado. Que venham os próximos filmes! (Bruno Carmelo)

4. Karine Teles

Mat Hayward

A atriz e roteirista Karine Teles vem pedindo passagem desde suas aplaudidas atuações em Que Horas Ela Volta? e Fala Comigo; por isso, era apenas questão de tempo para que ela finalmente encontrasse seu merecido sucesso, tanto como protagonista, tanto como escritora. Em Benzinho, pelo qual Teles saiu vencedora do prêmio de Melhor Atriz, a intérprete cria uma de suas personagens mais marcantes e interessantes, trazendo uma força e vulnerabilidade ímpares para as telas. A julgar pela aclamação quase universal do longa, Benzinho deve ser apenas mais uma das grandes etapas do que vem pela frente na carreira de Teles (Renato Furtado).

3. Affonso Uchoa e João Dumans

Beto Staino

Se a dupla de diretores já havia impressionado com A Vizinhança do TigreArábiarepresentou um passo além para Affonso Uchoa e João Dumans — montadores, cineastas, roteiristas e produtores também envolvidos em produções como Baronesa e A Cidade Onde Envelheço. Não só resgatando a figura do operário como protagonista na cinematografia nacional, os realizadores também encontram espaço para criar uma narrativa de múltiplas camadas, significados e potências, que os leva diretamente ao pódio de nossa lista. É bom ficar de olho no que estes dois irão preparão nos próximos anos; participando de diversos processos ao mesmo tempo, Uchoa e Dumans são os líderes deste ano do nosso cinema independente (RF).

2. Helena Ignez

Leo Lara / Universo Produção

A atriz, diretora, roteirista e produtora se tornou um símbolo importantíssimo da arte brasileira desde o início dos anos 1960, quando trabalhou com os maiores ícones do Cinema Novo e do Cinema Marginal. Ela nunca abandonou a defesa por uma forma de arte transgressora, e em 2018 apresentou um filme digno dessas ideias: A Moça do Calendário, homenagem radical aos marginais do século XXI, repleto de ideias e imagens libertárias. Além disso, Ignez estrela o belíssimo Antes do Fim, de Cristiano Burlan, refletindo junto a Jean-Claude Bernardet sobre a decadência e a morte dos ícones nacionais (BC).

1. Maria Augusta Ramos

A documentarista investiu num tema delicado – o impeachment de Dilma Rousseff – para criar um dos projetos políticos mais instigantes do ano: O Processo. Enveredando pelos corredores do Senado e acompanhando as reuniões da cúpula do PT, ela desvenda o mecanismo jurídico-legal que levou à destituição da presidenta. O resultado foi uma ovação: além de conquistar o terceiro lugar da mostra Panorama, no Festival de Berlim, o documentário venceu festivais na Suíça, Espanha e figura entre os pré-indicados ao Oscar. Além disso, levou mais de 60 mil espectadores aos cinemas brasileiros, um resultado que os documentários nacionais não atingiam há anos (BC).

 

Adoro Cinema 
Renato Furtado

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