Lançada sem cordas estava viva ao ser localizada por enfermeira: 'Conversei com ela'
Por O Globo Segunda-Feira, 15 de Junho de 2026
A morte de Maria Eduarda Rodrigues, de 21 anos, durante um salto de rope jump em Limeira, no interior de São Paulo, segue sob investigação pela Polícia Civil como homicídio com dolo eventual. Formada em Educação Física, moradora da cidade de Jandira e funcionária de uma academia, a jovem caiu de uma altura aproximada de 40 metros após ser lançada sem estar presa às cordas de segurança e ainda tinha sinais vitais após a queda, segundo uma profissional de saúde que participou do atendimento.
O acidente ocorreu na Ponte do Esqueleto, estrutura ferroviária inacabada localizada na zona rural de Limeira. Maria Eduarda participava de um salto na modalidade conhecida como "aviãozinho", em que o praticante é conduzido até a plataforma por instrutores antes da queda controlada. Imagens mostram que ela foi carregada por três integrantes da equipe, mas não estava conectada ao equipamento que deveria impedir a queda livre.
Logo após o acidente, testemunhas demonstraram desespero ao perceber a falha nos procedimentos de segurança. A jovem ainda apresentava sinais vitais quando foi alcançada pelas primeiras pessoas que tentaram socorrê-la.
A enfermeira Rayza Dias, que participou do atendimento, descreveu à TV Record as dificuldades para chegar até Maria Eduarda.
— Eu ralei toda a minha mão porque lá é uma ribanceira e tem só uma corda para a gente descer. Eu estava cheia de barro — relatou.
Segundo ela, a vítima ainda respirava quando foi encontrada.
— Vi que ela estava com uma respiração ofegante e olhei a pupila dela, que infelizmente estava dilatada, as duas. Vi pulsação, estava bem fraca, mas ela ainda tinha pulsação — afirmou.
Rayza também contou que conseguiu conversar com a jovem durante o atendimento.
— Ainda conversei com ela. Tenho mania de brincar e falar: "ninguém morre no meu plantão". E ainda falei para ela: "Duda, ninguém morre no meu plantão", mesmo que eu não estivesse de plantão ali.
Atuação informal
A investigação levou à prisão de três homens identificados como Luis Felipe Feliciano Egoroff, Vitor de Freitas Gonçalves e Maicon Fernandes Cintra. Eles atuariam por meio das marcas "Ih Voei" e "Entre Cordas" e tiveram a prisão em flagrante convertida em preventiva.
Em depoimento, dois dos investigados alegaram ter sofrido um "apagão" durante os procedimentos preparatórios e disseram não conseguir explicar em que momento deixaram de prender as cordas de segurança em Maria Eduarda.
Segundo a delegada responsável pelo caso, não havia uma empresa formalmente constituída por trás da operação. Os organizadores atuariam de forma autônoma, utilizando perfis em redes sociais para divulgar os saltos. Após a repercussão do caso, essas páginas deixaram de estar disponíveis na internet.
A defesa sustenta que os três possuem ampla experiência em atividades de aventura e afirma que esta teria sido a primeira morte registrada em suas trajetórias profissionais.
De acordo com a investigação, Maria Eduarda pagou R$ 180 pela experiência e mais R$ 150 pela gravação do salto com uma câmera de 360 graus. O equipamento, que poderia esclarecer detalhes dos momentos que antecederam o acidente, ainda não foi localizado.
Mãe lamentou morte da filha nas redes sociais
Nas redes sociais, Valdenia Rodrigues, mãe de Maria Eduarda, publicou mensagens de despedida marcadas pela dor da perda.
"Minha filha amada, só hoje eu quis te abraçar mais de mil vezes. Como está me doendo sua partida. Te amo eternamente, minha princesa", escreveu: "Muito obrigada por fazer parte da minha vida durante esses 21 anos. Que honra foi ouvir você me chamar de mãe. Deus, obrigada por esse privilégio".
Horas antes da atividade, Maria Eduarda havia compartilhado uma foto nas redes sociais diante de placas que alertavam sobre o risco de morte no local. Em tom de brincadeira, escreveu: "Quem foi o doido que deixou eu vir pular de uma ponte?"
A Ponte do Esqueleto, onde ocorreu o acidente, pertence à União e já foi cenário de outras ocorrências graves. Em 2024, uma ciclista morreu após cair do viaduto. Em outros episódios, duas mulheres ficaram gravemente feridas. Há divergências entre a Prefeitura de Limeira e a Secretaria de Patrimônio da União sobre quem é responsável pela fiscalização da área e pelo controle de acesso ao local.