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2025 foi o terceiro ano mais quente da história, diz observatório europeu

Por O Globo   Quarta-Feira, 14 de Janeiro de 2026

O ano de 2025 foi o terceiro mais quente já registrado no planeta, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo observatório europeu Copernicus e pelo instituto norte-americano Berkeley Earth. As duas instituições alertam que 2026 deve permanecer em patamares historicamente elevados, reforçando a tendência de aquecimento acelerado observada nos últimos anos.

De acordo com o relatório anual do Copernicus, a temperatura média global vem se mantendo há três anos em níveis inéditos na história da humanidade. Pela primeira vez, a média do período superou em mais de 1,5 °C o nível pré-industrial — um marco simbólico no debate climático internacional.

“O aumento brutal registrado entre 2023 e 2025 foi extremo e aponta para uma aceleração do aquecimento global”, alertaram os cientistas do Berkeley Earth.

Desde o ano passado, a ONU, climatologistas e autoridades políticas vêm reconhecendo publicamente que o planeta caminha para um aquecimento duradouro de 1,5 °C, limite estabelecido pelo Acordo de Paris há uma década. Com três anos consecutivos nesse patamar, o Copernicus considera provável que a superação permanente desse limite se confirme “antes do fim da década, ou seja, mais de dez anos antes do previsto”.

O cenário é agravado por um contexto político desfavorável. A aceleração do aquecimento coincide com o enfraquecimento da cooperação climática internacional, após os Estados Unidos — segundo maior emissor de gases de efeito estufa — retomarem uma política centrada no petróleo sob Donald Trump. Nos países ricos, o combate às emissões também perde força: Alemanha e França registraram estagnação na redução de gases em 2025, enquanto o aumento de usinas a carvão nos EUA elevou novamente a pegada de carbono do país.

— A urgência de agir diante da mudança climática nunca foi tão premente — afirmou Mauro Facchini, chefe da unidade Copernicus, em entrevista coletiva.

 

Tendência para 2026

 

As projeções indicam que o próximo ano seguirá a mesma trajetória. Samantha Burgess, diretora-adjunta de mudança climática do Copernicus, avalia que “2026 será um dos cinco anos mais quentes já registrados” e que “provavelmente será comparável a 2025”.

Os climatologistas do Berkeley Earth também estimam que 2026 “provavelmente será semelhante a 2025, com o cenário mais provável de se tornar o quarto ano mais quente desde 1850”. Caso o fenômeno El Niño volte a se manifestar, “poderá transformar 2026 em um ano recorde”, disse à AFP Carlo Buontempo, diretor de mudança climática do Copernicus. Para ele, porém, o essencial é a tendência:

— Seja em 2026, 2027 ou 2028, isso não muda muita coisa. A trajetória é muito, muito clara.

 

Recordes regionais

 

Em 2025, a temperatura média do ar sobre terras e oceanos ficou 1,47 °C acima do nível pré-industrial, abaixo apenas dos 1,60 °C registrados em 2024, o ano mais quente da série histórica. Por trás dessa média global, acumulam-se recordes regionais, especialmente na Ásia Central, na Antártida e no Sahel, segundo análises da AFP com base em dados do serviço europeu.

O ano também foi marcado por uma sucessão de eventos extremos — ondas de calor, ciclones e tempestades intensas na Europa, Ásia e América do Norte, além de incêndios de grandes proporções na Espanha, no Canadá e na Califórnia — cuja frequência e intensidade são amplificadas pelo aquecimento global.

A queima crescente de petróleo, carvão e gás fóssil segue como principal responsável pelo aumento das temperaturas. O cientista Robert Rohde, do Berkeley Earth, chama atenção ainda para fatores adicionais que podem estar contribuindo para o aquecimento, mesmo que em menor escala. Entre eles, a norma internacional que reduziu, a partir de 2020, o teor de enxofre do combustível marítimo. A medida diminuiu a emissão de aerossóis que antes favoreciam a formação de nuvens claras capazes de refletir a radiação solar, exercendo um efeito de resfriamento sobre o planeta.

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