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El Niño entra em fase mais intensa e pode trazer até cinco ondas de calor ao Brasil até novembro

Por NSC Total   Segunda-Feira, 7 de Setembro de 2026

Um novo boletim sobre o El Niño, divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) na última terça-feira (1º), aponta  que o Brasil pode registrar de três a cinco ondas de calor entre setembro e novembro. Em anos sem o fenômeno, a média esperada para o mesmo período é de dois a três episódios.

Segundo o painel, anos com El Niño apresentam, estatisticamente, uma onda de calor a mais, em média, na comparação com anos considerados normais.

O número de ondas de calor entre setembro e novembro vem aumentando gradativamente desde o início da série histórica, em 1979, independentemente da ocorrência do El Niño. De acordo com o boletim, o avanço está muito provavelmente relacionado à influência do aquecimento global.

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O novo recorte detalha os possíveis impactos no país diante do fortalecimento do El Niño, que pode atingir o nível popularmente chamado de “super” a partir deste mês.

Número de ondas de calor registradas historicamente no período de setembro-novembro (Imagem: Inmet, Divulgação)

Temperaturas devem ficar acima da média

A previsão para o trimestre entre setembro e novembro indica maior probabilidade de temperaturas acima da média em grande parte do Brasil, conforme o boletim do Inmet. Apesar da tendência de calor, o instituto ressalta que não estão descartadas quedas acentuadas nas temperaturas em setembro, provocadas pelo avanço de massas de ar frio.

Na Região Sul, as chuvas e as temperaturas acima da média devem manter elevada a disponibilidade de água no solo e reduzir o risco de geadas tardias. Por outro lado, o excesso de umidade pode 

favorecer

 doenças nas lavouras, dificultar a colheita, comprometer a qualidade dos grãos e atrasar o plantio das culturas de verão.

Entenda o El Niño em 10 passos

O El Niño é um fenômeno natural que acontece no Oceano Pacífico, na faixa próxima à Linha do Equador, entre a América do Sul e a Ásia.
Alertas colocam 19 estados na rota de tempestades e chuvas intensas de 100 milímetros
Os chamados ventos alísios empurram a água quente da superfície do mar em direção à Indonésia e à Austrália.(Foto: Tiago Ghizoni, NSC Total, arquivo)
Inmet coloca 17 estados em alerta para chuvas e ventos intensos no penúltimo dia de verão
Enquanto o Oeste do Pacífico fica mais quente, perto da América do Sul sobe água fria das profundezas, mantendo o equilíbrio do sistema.(Foto: Banco de imagem)

 

Por variações naturais do clima, os ventos alísios perdem força — esse é o primeiro sinal de que algo está mudando. (Foto: Defesa Civil, Reprodução)
Novo ciclone e avanço de frente fria colocam SC e outros dois estados na rota de chuvas intensas
Com ventos mais fracos, a água quente acumulada começa a se deslocar de volta para o Centro e o Leste do Pacífico.(Foto: Alan Pedro, Arquivo NSC Total)
Esse deslocamento eleva a temperatura do oceano perto da América do Sul e reduz a ressurgência de água fria.

 

Água mais quente libera mais calor para a atmosfera, alterando ventos e padrões de chuva.(Foto: Reprodução)
Quando o aquecimento persiste por pelo menos cinco meses, o fenômeno é caracterizado como El Niño. (Foto: Luisa de Melo)
O aquecimento do Oceano Pacífico reflete em maiores volumes de chuva e temperaturas mais amenas na região Oeste de Santa Catarina. (Foto: Redes sociais, Reprodução)

 

Santa Catarina vem enfrentando fortes chuvas com a ocorrência de ciclones (Foto: Banco de imagens)
Ainda em relação ao Sul do Brasil, no primeiro ano do El Niño, as estações mais chuvosas são a primavera e o verão. No segundo, o maior impacto é no inverno.(Foto: Banco de imagens)

El Niño pode atingir nível “super”

Oficialmente, “super El Niño” não é uma classificação científica. O termo é usado popularmente para episódios considerados muito fortes, quando o índice de temperatura atinge ou supera 2°C acima da média. Na nova projeção do Inmet, a probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte subiu para mais de 90% já no trimestre entre setembro e novembro.

O painel também incorpora a estimativa da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) de 69% de chance de o El Niño 2026/2027 ser o mais forte desde 1950, com anomalias que podem superar 2,5°C. As projeções indicam que o fenômeno deve permanecer ativo, pelo menos, até o início de 2027.

Apesar do cenário, a NOAA ressalta que um El Niño mais forte não provoca necessariamente impactos maiores em todas as regiões. Os efeitos também dependem dos sistemas meteorológicos, da umidade do solo e das vulnerabilidades de cada local.

 

Probabilidade de intensidade do fenômeno El Niño (atualização de agosto) (Foto: Adaptado de Climate Prediction Center (CPC)

El Niño também aumenta atenção para chuva extrema em SC

O mesmo boletim identificou seis regiões de Santa Catarina que apresentam maior propensão a episódios de chuva extrema entre setembro e novembro:

  • Oeste
  • Meio-Oeste
  • Planalto
  • Vale do Itajaí
  • Grande Florianópolis
  • Sul catarinense

A análise de anos com El Niño forte ou muito forte mostra, nessas áreas, maior propensão a chuvas intensas e acumulados elevados em poucos dias. Essas condições podem favorecer  cheias, inundações, enxurradas, alagamentos e deslizamentos.

No Rio Grande do Sul, o sinal de aumento dos extremos é ainda mais consistente, principalmente para episódios prolongados. No Paraná, o cenário é mais localizado, com maior atenção para o Sudoeste, Centro-Sul, Região Metropolitana de Curitiba, Serra do Mar e litoral.

O Inmet ressalta que a análise indica apenas maior propensão a situações críticas. Isso não significa que eventos extremos ou desastres ocorrerão necessariamente nessas regiões.

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Primavera será período de maior atenção em SC

Segundo a Epagri/Ciram e a Defesa Civil, o inverno de 2026 já teve volumes de chuva acima da média em diferentes períodos e maior frequência de tempestades severas.

A preocupação aumenta com a primavera, que começa no dia 22 de setembro. A estação tem naturalmente maior frequência e intensidade dos sistemas responsáveis por chuvas e temporais em Santa Catarina.

 

 

“A combinação entre a climatologia da estação e a intensificação do El Niño torna a primavera o período de maior atenção desde o estabelecimento do fenômeno El Niño. É consenso entre os modelos meteorológicos volumes de chuva acima do normal para o trimestre, principalmente nos meses de outubro e novembro”, diz a nota da Defesa Civil.

Para setembro isoladamente, o Inmet prevê chuva próxima da média na metade Leste de Santa Catarina. A previsão trimestral da Epagri indica que os maiores excessos de chuva no Estado devem ocorrer principalmente em outubro e novembro.

Como o El Niño afeta o tempo?

O El Niño é o nome dado ao aumento da temperatura da superfície da água em um trecho do Oceano Pacífico próximo ao Peru. A água mais quente libera mais calor para a atmosfera e altera a circulação dos ventos e os padrões de chuva.

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Na Região Sul, o fenômeno dificulta o avanço das frentes frias pelo restante do país. Com isso, os sistemas podem ficar concentrados por mais tempo sobre o Sul, favorecendo volumes elevados de chuva.

O contrário, o resfriamento dessas águas, é chamado de La Niña. Os efeitos da La Niña para Santa Catarina são opostos aos do El Niño, com tendência de chuvas em menor volume no Estado.

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