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Brasil tem queda de assassinatos pelo 5º ano seguido: veja taxa de mortes

Por G1   Quinta-Feira, 22 de Janeiro de 2026

O Brasil registrou queda nos assassinatos pelo quinto ano seguido: foram 34.086 casos de mortes violentas em 2025, contra 38.374 em 2024. O resultado representa uma taxa nacional de 16 mortes por 100 mil habitantes. Em 2025, eram 18 mortes a cada 100 mil habitantes.

Ceará (32,6), Pernambuco (31,6) e Alagoas (29,4) encabeçam o ranking das maiores taxas de mortes violentas a cada grupo de 100 mil habitantes. Enquanto São Paulo (5,4), Santa Catarina (6,4) e Distrito Federal (8,8) registraram as menores taxas.

Segundo os números computados até terça-feira (20) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, houve uma queda de 11% no total de mortes violentas de 2024 para 2025.

Veja abaixo as taxas de mortalidade por estado:

❗O número de 34.086 não inclui ainda os dados referentes ao mês de dezembro nos estados de São Paulo e Paraíba. Esses números não haviam entrado no sistema do governo federal até a publicação da reportagem, e não há prazo definido para isso.

Entre janeiro e novembro, SP registrou em média 228 mortes violentas por mês. Na Paraíba, a média foi de 79 casos por mês. Se a média se mantiver em dezembro, seriam cerca de 300 casos a mais no balanço nacional. Ainda assim, haveria uma queda anual de 10,4%.

Entram na conta como mortes violentas os casos de homicídios dolosos (quando há intenção de matar), feminicídios, latrocínios e lesões seguidas de morte. Os dados são enviados pelas secretarias estaduais de Segurança Pública ao governo federal, responsável pela divulgação.

 

Variações em um ano

 

A queda nacional nas mortes violentas ocorre em 21 dos 27 estados, com destaque para o Amazonas, com redução de 33% em homicídios, feminicídios, latrocínios. Em seguida aparecem o Mato Grosso do Sul (-28%), Paraná e Rio Grande do Sul (ambos com recuo de 24%).

O pesquisador da Universidade do Estado do Pará e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública Aiala Couto afirma que há um controle do crime por parte do Comando Vermelho no Amazonas.

 

"Se for pegar um mapa das facções no Amazonas, o Comando Vermelho praticamente eliminou as facções rivais, no caso a Família do Norte, e eliminou tudo. Aí, você tem uma diminuição [das mortes]. os homicídios caem nesse momento em que o CV se torna hegemônico. Isso coincide com a queda nas taxas de legalidade", afirma o especialista.

 

Cinco estados e o DF vão contra a tendência nacional de queda nos homicídios e registraram alta nas mortes violentas de 2024 para 2025: Tocantins (17%), Rio Grande do Norte (14%), Roraima (9%), Acre (6%), Distrito Federal (5%) e Rio de Janeiro (2%).

Tanto TO quanto RN enfrentam guerras de facções, segundo especialistas ouvidos pelo g1. Couto afirma que no Tocantins a alta ocorre pelo conflito entre Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC).

 

"O PCC estava no estado, o Comando Vermelho chegou e isso estimulou o conflito e tem tornado o estado bastante violento. O Tocantins está no centro da conexão do transporte de drogas", afirma Couto, ao citar a rota de entorpecentes da Amazônia até os portos com destino à Europa.

 

Segundo a antropóloga Juliana Melo, pesquisadora e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a alta no estado ocorre após o CV romper parceria com uma facção local.

 

"No estado, acontece um movimento de disputa por facções: o Comando Vermelho, que antes era aliado à uma facção local chamada Sindicado do Crime (SDC), que é rival do PCC, agora virou inimigo desse grupo. As duas estão em disputa. E existem ações de novo cangaço, que tem entrado nessa disputa com o CV e o SDC, e isso tem aumentado bastante as mortes nas periferias, em especial", afirma a especialista.

 

 

Variações por regiões

 

A queda nacional nos homicídios também ocorreu em todas as cinco regiões do país.

 

  • Sul: - 22% (passou de 3.935 mortes violentas em 2024 para 3.055 em 2025);
  • Centro Oeste: - 18% (de 2.682 para 2.204);
  • Norte: - 11% (de 4.304 para 3.829);
  • Nordeste: - 10% (de 17.052 para 15.412);
  • Sudeste: - 8% (de 10.401 para 9.586).

 

Considerando os estados, as maiores reduções foram em Mato Grosso do Sul (- 28%), Paraná e Rio Grande do Sul (- 24% em ambos os casos).

Bahia (3.900), Rio de Janeiro (3.581) e Pernambuco (3.023) lideram quando se considera o número absoluto de mortes violentas. Acre (204), Acre (179) e Roraima (139) tiveram os números mais baixos.

 

Redução de assassinatos é tendência

 

Já são cinco anos consecutivos de redução nas mortes violentas, de 2021 a 2025, e uma queda acumulada de 25% desde 2020, primeiro ano da pandemia de Covid-19.

O recorde registrado na série histórica é de 2017, com mais de 60 mil assassinatos. Depois desse pico, os números caíram em 2018 e 2019, e voltaram a subir em 2020. Desde então, só houve quedas.

Rafael Alcadipani, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, explica que houve mudanças nas dinâmicas das facções criminosas, sem tantas guerras por territórios.

"Foi um ano em que o crime organizado esteve, digamos assim, mais tranquilo em termos de briga do que anteriormente. Tem políticas públicas também. Estamos perto da eleição e algumas ações na segurança são tomadas. São todos fatores que podem explicar", afirma.

Silvia Ramos, coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), segue a linha de que a diminuição de enfrentamentos entre facções, com a definição de controles em determinados territórios, contribui para que haja menos assassinatos.

"Como regra geral, quedas de mortes intencionais são resultantes de arranjos de facções, milícias e grupos armados", diz.

Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, lembra que a tendência de queda vem desde antes da pandemia, com a exceção de 2020. Naquele ano, o aumento de assassinatos foi puxado pela região Nordeste.

"É uma tendência de queda que foi inaugurada em 2018 e, de lá para cá, só em um ano tivemos alta. É bom manter e sustentar a queda", afirma.

 

Recorde nos feminicídios em 2025

 

Já o número de feminicídios bateu recorde em 2025: foram 1.470 casos de janeiro a dezembro, conforme os dados do ministério. O total supera os 1.464 registros de 2024, a maior marca até então.

Foram ao menos quatro mulheres mortas por dia no ano passado.

Os números devem crescer mais, com os dados de dezembro de São Paulo e Paraíba, que ainda não foram atualizados na base do governo federal.

A tipificação de feminicídio foi criada em 2015. O crime ocorre quando uma mulher é assassinada pelo fato de ser mulher.

Naquele ano, ocorreram 535 mortes de mulheres nessa circunstância. Os dados apontam um crescimento de 316% em 10 anos.

Em 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma lei que aumentou as penas para quem comete feminicídios, que podem variar de 20 a 40 anos de prisão.

Disparo com revólver 38 em estande de tiro de São Paulo — Foto: Luiz Gabriel Franco/g1

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