Dia das Crianças: ato de brincar é essencial para o desenvolvimento infantil, destaca pediatra
Por G1 Paraíba Quinta-Feira, 12 de Outubro de 2023
Quando falamos de crianças, a primeira coisa que vem à cabeça são as brincadeiras, a fase da vida despreocupada e com muita irreverência. Mas, muitas vezes passa despercebida a importância do próprio ato de brincar para os baixinhos. No entanto, a pediatra Iana Araújo, especialista em desenvolvimento infantil, reforça os benefícios e tudo que as crianças têm a ganhar somente fazendo o que mais gostam, que é brincar.
"O brincar é uma potente ferramenta e deveria ser estratégia de saúde pública, pois é fácil, acessível a todos e previne muitas doenças físicas e mentais”, ressalta.
Brincar é importante para o desenvolvimento
De acordo com a pediatra Iana Araújo, o ato de brincar é urgente para as crianças, porque sem isso o desenvolvimento é afetado. Mais do que o próprio nome sugere, é algo realmente necessário para a infância.
“Brincar é a linguagem universal da infância, onde a imaginação floresce e as habilidades se desenvolvem. Nas brincadeiras, as crianças aprendem a explorar, a desenvolver habilidades motoras importantes para o desempenho de atividades comuns do dia a dia, aprendem a socializar, a criar e a se tornarem pessoas mais completas”, explicou.
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Tipos de brincadeira podem mudar conforme a idade da criança — Foto: Casa Toca
Além disso, ao contrário do que muitos pensam, a especialista alerta que brincadeira não é apenas voltada ao sentido do entretenimento. Não é o brincar pelo brincar. Ela influi positivamente em questões sociais que, mais tarde, quando a pessoa se tornar adulta, vão ser fundamentais.
“Brincar vai muito além de um simples entretenimento para crianças; é uma necessidade quase igual a receber cuidado e afeto, sendo, portanto, uma peça fundamental na construção de sua individualidade e desenvolvimento de habilidades”, disse.
Outro ponto importante no tema, segundo a pediatra, é que em um mundo digital, com conectividade na palma da mão, com celulares, computadores e outros aparelhos, é preciso separar um tempo adequado para as crianças brincarem e ficarem sem contato com essas tecnologias que não oferecem o mesmo que o “mundo físico”.
“Em um mundo cada vez mais digital, o poder do brincar tradicional se faz necessário como uma ferramenta para o crescimento saudável e feliz das crianças”, ressalta.
Diferença no mundo prático
De acordo com Isabella Pedrosa, a mãe de Letícia, que tem 5 anos, as mudanças que a filha teve após começar especificamente a ir a um lugar simplesmente para brincar foram notáveis e, segundo ela, para melhor.
“Uma criança que tem a liberdade com segurança, ela se torna mais criativa, mais auto confiante e mais ativa também. Vejo isso com bons olhos, pois acredito que são habilidades que serão muito importantes para os adultos do futuro. Ter imaginação e confiança em si própria”, relata.
Segundo a mãe, somente brincar para as crianças já faz extrema diferença, isso porque as rotinas diárias de famílias são muito concorridas com outros afazeres do dia a dia, que acabam tirando espaço.
“Acredito que nas dinâmicas das famílias de hoje existam muitos afazeres, inclusive para as crianças. Aula de inglês, natação, ballet, judô, circo. Sem contar a escola. São atividades rígidas, estruturadas. Um lugar dedicado ao brincar é por si só um espaço livre, sem amarras. Não é engessado ou muito guiado. A criança tem a possibilidade de vivenciar a plenitude de ser criança simplesmente. Isso não tem preço pro bom desenvolver da criança”, ressalta.
Para outras mães e pais que se veem em situações de rotina muito corrida durante o dia a dia, Isabella recomenda que mesmo assim não desanime e que, quando possível, abra espaço para as crianças fazerem o que mais gostam.
“Minha recomendação é que todo responsável possa oferecer um tempo de qualidade voltado ao brincar, e deveria fazer isso com a máxima frequência possível. Crianças mais alegres, mais ativas, mais criativas e mais colaboradoras são o resultado de ter esse tempo e ambientes assim”, diz.
Existe brincadeira mais saudável que outra?
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Espaços específicos para brincar são importantes para a rotina das crianças — Foto: Casa Toca
Também conforme a pediatra Iana, não existem tipos de brincadeiras mais saudáveis que outras. O que há é o que pode ser mais adequado para idade da criança, a depender do desenvolvimento dos baixinhos.
“Não existe brincadeira mais saudável, mas sim mais adequada dependendo da idade da criança. Cada fase do desenvolvimento infantil é uma jornada única e fascinante, e as brincadeiras desempenham um papel vital em cada etapa”, opina.
“Por exemplo, nos primeiros anos, as brincadeiras simples, como empilhar blocos ou brincar de esconde-esconde, são ideais, elas ajudam a desenvolver habilidades motoras finas, a compreensão de causa e efeito, além do papel importante de fortalecerem o vínculo emocional com os cuidadores”, explica.
Conforme a criança vai envelhecendo, o tipo de brincadeira pode mudar para abranger outros aspectos no desenvolvimento mental e motor.
“À medida que as crianças crescem, as brincadeiras se tornam mais complexas. Brinquedos que incentivam a resolução de problemas, como quebra-cabeças e jogos de construção, estimulam o raciocínio lógico e a coordenação. Brincadeiras de faz de conta fomentam a imaginação e a capacidade de socialização. As atividades artísticas, como desenhar e pintar, ajudam a desenvolver a criatividade e a expressão pessoal”, diz.
A pediatra ressalta que cada fase do desenvolvimento infantil é acompanhada por brincadeiras diferentes que são especialmente adequadas para estimular as aptidões específicas das crianças naquele momento de vida.
Iana Araújo também é responsável por coordenar dois projetos que são voltados especificamente para crianças terem espaços para brincar. Ela explica que isso é essencial para os pais.
“São projetos que utilizo para fortalecer uma recomendação que sempre prescrevo enquanto pediatra para meus pacientes e as famílias que acompanho: brinquem", diz.