Segundo o cirurgião plástico Jorge Seba, diferentes intervenções podem ser combinadas de acordo com as características e os objetivos de cada paciente.
"Quando falamos em remodelação do contorno corporal, não existe um único procedimento capaz de produzir todos os resultados. A lipoaspiração, por exemplo, pode ser utilizada para retirar gordura de determinadas regiões e melhorar a definição corporal. Essa gordura, quando existe indicação e condições adequadas, pode ser utilizada em técnicas de enxertia para proporcionar volume e melhorar determinadas proporções. O resultado final depende muito mais do planejamento global do corpo do que de simplesmente aumentar o tamanho do glúteo", explica.
O que está por trás da transformação
A busca por um bumbum mais volumoso também deu espaço a uma visão mais ampla da estética corporal. Em vez de considerar apenas o tamanho dos glúteos, especialistas avaliam a relação entre cintura, quadril, coxas, distribuição de gordura e qualidade da pele.
"O glúteo não deve ser analisado isoladamente. É preciso observar a cintura, o quadril, a quantidade e a distribuição de gordura, a qualidade da pele e a estrutura corporal como um todo. Em alguns pacientes, o que proporciona uma aparência mais projetada não é necessariamente colocar mais volume, mas retirar gordura de pontos estratégicos, definir a cintura e reposicionar ou acrescentar volume onde existe indicação", avalia o cirurgião plástico Marcos Cassol.
Entre as possibilidades está a lipoaspiração, usada para remover depósitos de gordura localizada e redefinir determinadas áreas. Quando há indicação, a gordura retirada pode ser preparada para uma lipoenxertia, técnica que utiliza o próprio tecido do paciente para acrescentar ou remodelar regiões específicas.
"A lipoenxertia glútea pode ser uma ferramenta importante quando existe indicação, porque permite utilizar a própria gordura do paciente para modificar volume e contorno. Mas é fundamental compreender que existe um limite de segurança e que a técnica exige planejamento, conhecimento anatômico e execução adequada. Não se trata simplesmente de colocar o máximo possível de gordura", alerta Jorge.
A aparência da região também pode mudar com variações de peso, gestações e envelhecimento, fatores que interferem na elasticidade da pele e na distribuição do tecido adiposo. Por isso, mesmo pessoas submetidas a técnicas semelhantes podem ter resultados distintos.
"Quando o objetivo é transformar o contorno corporal, precisamos avaliar se existe excesso de gordura, falta de volume, flacidez ou uma combinação desses fatores. Cada problema tem uma estratégia diferente. É justamente por isso que copiar o procedimento de uma celebridade não significa reproduzir o mesmo resultado", afirma Marcos.
Quanto custa uma transformação como essa?
O valor de R$ 180 mil divulgado nas redes também não pode ser tratado como uma referência fixa. O preço de cirurgias e tratamentos varia conforme a equipe escolhida, a estrutura hospitalar, a cidade, a técnica empregada e a complexidade de cada intervenção.
"Não existe um preço universal para construir determinado resultado corporal. O custo depende de quais procedimentos são realmente indicados, da complexidade da cirurgia, da estrutura hospitalar e de toda a equipe envolvida. Além disso, o planejamento deve partir da necessidade do paciente, e não de um orçamento pré-definido para alcançar o corpo de outra pessoa", ressalta Jorge.
Para Marcos, a mudança na forma de pensar a estética corporal também ajuda a explicar por que intervenções diferentes podem ser consideradas em um mesmo planejamento:
"A tendência atual não é simplesmente ter o maior glúteo possível. Existe uma busca muito maior por harmonia, proporção e definição. Um resultado bonito é aquele que conversa com o restante do corpo e respeita a anatomia da paciente. O tamanho, isoladamente, não determina a qualidade de um resultado."
No caso de Virginia, portanto, os R$ 180 mil devem ser entendidos como uma estimativa apresentada em um conteúdo que viralizou, e não como um valor confirmado pela influenciadora. A avaliação dos especialistas reforça ainda que não existe uma fórmula única para reproduzir determinado padrão estético: as escolhas dependem da anatomia, das condições de cada pessoa e dos objetivos definidos com a equipe médica.