Pela primeira vez no século, Globo não será a 'dona' da Copa do Mundo; entenda
Por Revista Fórum Sábado, 23 de Maio de 2026
Pela primeira vez neste século, o torcedor brasileiro viverá uma Copa do Mundo sem o domínio da TV Globo. O cenário de 2026, com sede dividida entre Estados Unidos, Canadá e México, marca uma quebra de paradigma histórico na transmissão esportiva no Brasil. A emissora carioca, que por décadas ditou as regras e centralizou as atenções do torneio, agora divide o protagonismo com o SBT na TV aberta e, principalmente, com a força do streaming, liderado pela CazéTV.
Os números evidenciam a mudança. Pela primeira vez, uma plataforma digital supera a TV aberta em volume de partidas. A CazéTV, canal do influenciador Casimiro Miguel, garantiu os direitos de transmissão de todos os 104 jogos do Mundial. Enquanto isso, a Globo exibirá 55 partidas, uma a menos que nas edições anteriores, e o SBT, que retorna à disputa pelo público do futebol, transmitirá 32 confrontos.
O YouTube (Google) financiou a compra dos direitos e estruturou o plano comercial junto à LiveMode, empresa que detém a CazéTV e tem Casimiro como sócio minoritário e rosto principal. A LiveMode conta com o peso de investidores como os fundos General Atlantic e XP Asset, além do jogador Cristiano Ronaldo, mostrando que a disputa pelos direitos esportivos virou um jogo de gigantes financeiros.
A estratégia da Globo: tradição e “ecossistema”
Apesar de perder a exclusividade e ver o streaming dominar a grade completa, a cúpula da Globo adota um discurso de tranquilidade. A estratégia da emissora é se apoiar na memória afetiva do brasileiro.
Renato Ribeiro, diretor de esportes da Globo, argumenta que a empresa ajudou a transformar a Copa em um “fenômeno cultural” desde 1970 e aposta que essa tradição manterá a audiência fiel, independentemente da concorrência.
“A gente ajudou a transformar a Copa do Mundo num fenômeno cultural no Brasil. A Copa do Mundo é um negócio gigantesco. Existe o que é futebol, existe o que é a Seleção Brasileira, existe o que é a Seleção Brasileira na Copa do Mundo. Então, a Copa do Mundo transcende tudo isso. É um ritual individual, coletivo e afetivo. E foi a gente que ajudou a construir isso. E a gente vai continuar ajudando, vai botar mais um tijolinho nessa história, que vai ser essa Copa do Mundo agora”, disse ele, em entrevista ao site Notícias da TV.
Para enfrentar a fragmentação, a Globo montou um “ecossistema” de transmissões, segundo o dirigente da emissora. A TV aberta focará no grande público, com Everaldo Marques assumindo a narração da Seleção Brasileira no lugar de Luis Roberto, que foi afastado para tratar problemas de saúde. Já o Sportv será o canal dos “fanáticos” por tática, ancorado por André Rizek. Para o público jovem, a aposta é a GeTV, que exibirá 32 jogos gratuitos no Globoplay com uma linguagem mais descontraída, similar à da CazéTV.
Correndo por fora, o SBT também aposta na nostalgia para atrair o telespectador tradicional, com ex-globais. A emissora conta com Galvão Bueno e Tiago Leifert como as vozes principais das 32 partidas que o canal transmitirá.
Batalha digital
A guerra pela audiência da Copa de 2026, no entanto, não se limitará aos 90 minutos de bola rolando, mas sim à “cauda longa” das redes sociais.
O YouTube aposta na viralização de cortes, reacts e vídeos curtos para manter o engajamento por meses. Já a Globo fechou parceria com a agência Play9 para mobilizar cerca de 2 mil influenciadores digitais.
Segundo o site B9, a smart TV é o dispositivo que mais cresce no consumo do YouTube nos últimos cinco anos, sendo que mais de 50% do tempo de esportes no YouTube já é nesse tipo de de aparelho. E a Copa do Mundo é o maior evento de vendas de TVs do varejo, superando a Black Friday.