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Médico mostra preocupação com aumento de jovens mortos por COVID-19 em Patos

Por Vicente Conserva - 40 Graus com Patosonline    Domingo, 20 de Junho de 2021


Corpos atléticos, vida aparentemente saudável e sem comorbidades. Geralmente são esses os relatos de familiares de jovens mortos pela Covid-19. Mas será que estas são garantias mesmo de que este grupo esteja menos susceptível a óbitos pela doença?

Esta também é a pergunta de muitos profissionais que estão na linha de frente de combate à Covid-19 e que estão abismados com a média de idade de mortes que vem caindo assustadoramente, bem como eles procuram explicações para tal.

Assim como em muitos lugares mundo afora, em Patos, na Paraíba, não tem sido diferente. A cidade vem registrando o crescimento do número de casos de morte entre jovens vítimas de COVID-19.

Em poucos meses, vários jovens com menos de 40 anos vieram a óbito por conta da inflamação causada pelo novo Coronavírus.

No município, cada vez mais jovens tem pedido a vida para a COVID-19. Das 33 mortes do mês de junho, pelo cinco foram de pessoas com menos de 40 anos, e outras sete entre os 41 e 49 anos. Algo pouco visto até meses atrás.

Três casos chamam mais atenção por serem pessoas bem jovens.

No último dia 15 de junho, morreu João Paulo da Costa Oliveira, aos 28 anos. Ele não tinha comorbidades, mas veio a óbito por complicações da COVID-19.

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Geraldo Chagas de Oliveira Júnior, de 34 anos, veio a óbito no dia 16 último. Ele também não tinha comorbidades, segundo a família.

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Nesta sexta-feira, dia 18, mais uma jovem perdeu a luta contra a COVID-19, foi a jovem Mayara Formiga de Araújo, de apenas 29 anos.

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Todos morreram em menos de uma semana após chegarem ao hospital, o que representa um tempo muito curto entre o início do tratamento e a morte por conta da inflamação.

Para o médico Pedro Augusto, que está na linha de frente do combate à pandemia, o que mais agrava o estado de saúde dos jovens é a pouca resistência contra as inflamações provocadas pela COVID-19.

“O que chama a atenção, como esses pacientes são muito jovens, uma coisa que está sendo estudada, é que os pacientes idosos já passaram por vários momentos traumáticos em suas vidas, e o organismo meio que vai se preparando para esses momentos. Ele começa a aumentar a produção de substâncias que têm a função de proteger contra alguma reação inflamatória, contra algum trauma. Mas um paciente jovem passou por poucos traumas em sua vida e não tem doenças que levam a esse estresse orgânico, então ele responde pior à inflamação, porque não tem defesas. Quando recebe uma carga viral muito alta, o processo inflamatório é muito avançado, são pacientes que já chegam ao hospital tendo que ir direto para a UTI, por exemplo, tento que ser intubado. Eles geralmente chegam e já precisam ser intubados”, explicou o médico.

Para os especialistas, o aumento de jovens com complicações da Covid-19 é um reflexo, também das novas variantes do coronavírus, que além de mais contagiosas levam a quadros mais graves.

Outro fato a ser analisado é que muitos dos jovens que estão morrendo não apresentavam comorbidades e tinham uma vida relativamente saudável, sem histórico de doenças comuns. No início da Pandemia, apenas idosos com doenças crônicas e histórico de traumas morriam vítimas da COVID-19.

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