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Três novos vírus podem desencadear crises sanitárias em 2026; entenda

Por Jornal da Paraíba   Sábado, 21 de Fevereiro de 2026

O ano de 2026 pode ser marcado por novos alertas globais relacionados a vírus que podem ser considerados emergentes. Especialistas apontam que, desde a pandemia de Covid-19, uma combinação de fatores de risco tem criado condições favoráveis para a evolução e a disseminação de agentes infecciosos, em um ritmo considerado acelerado.

Entre os principais fatores estão: aquecimento global, crescimento populacional e aumento da mobilidade humana, elementos que ampliam o contato entre pessoas, animais e ambientes antes isolados, facilitando o surgimento e a propagação de novos vírus.

 

Um artigo publicado na revista The Conversation, assinado por Patrick Jackson, professor adjunto de Doenças Infecciosas da University of Virginia, nos Estados Unidos, destaca três vírus que merecem atenção especial em 2026: a gripe aviária H5N1, o mpox e o ainda pouco conhecido vírus Oropouche.

Segundo a publicação, o objetivo é antecipar ações de vigilância estratégica diante da ameaça desses vírus, que recentemente ampliaram a área de circulação e passaram a preocupar autoridades sanitárias em diferentes regiões do mundo.

Com base nesse alerta, o Jornal da Paraíba lista, a seguir, os vírus apontados no estudo e explica por que eles estão no radar da saúde pública internacional.

Vírus Oropouche

Identificado pela primeira vez em 1950, o vírus Oropouche é transmitido por mosquitos e provoca sintomas semelhantes aos da gripe. Considerado por décadas restrito à Amazônia, o vírus passou a representar uma ameaça crescente no Brasil e em outros países das Américas.

Desde os anos 2000, o Oropouche vem se expandindo para áreas da América do Sul, América Central e do Caribe, movimento associado à adaptação do principal vetor a ambientes cada vez mais amplos e urbanizados.

O cenário se agravou a partir de 2023, quando a circulação do vírus voltou a ganhar força no Brasil. Dados da Organização Pan-Americana da Saúde indicam que, até agosto de 2025, o país concentrava 90% dos casos registrados nas Américas, com ocorrência da doença em 20 estados. No período de maior alta, foram confirmadas cinco mortes, sendo quatro no Rio de Janeiro e uma no Espírito Santo.

Até o momento, não há vacina preventiva nem tratamento específico para o Oropouche, o que amplia os riscos em caso de infecção e acende o alerta das autoridades sanitárias.

Diante desse cenário, em 5 de janeiro de 2026, a Organização Mundial da Saúde (OMS) apresentou uma proposta para acelerar o desenvolvimento de ferramentas de prevenção e controle contra o vírus, reforçando a necessidade de vigilância internacional e resposta coordenada.

Gripe aviária H5N1

A gripe A é historicamente tratada como uma ameaça à saúde pública devido à alta capacidade de mutação. Ao longo do tempo, a doença já provocou pandemias, sendo a mais recente em 2009, causada pela cepa H1N1, que resultou em mais de 280 mil mortes no primeiro ano, segundo estimativas internacionais.

Atualmente, a maior preocupação dos especialistas está relacionada à cepa H5N1, responsável pela chamada gripe aviária. Antes associada quase exclusivamente a aves, a circulação do vírus passou a preocupar ainda mais após a identificação, em 2024, de infecções em vacas leiteiras nos Estados Unidos, indicando uma ampliação do espectro de hospedeiros.

No Brasil, um caso de gripe aviária foi confirmado em 2025 em uma granja comercial. O principal temor das autoridades sanitárias é que o vírus consiga se adaptar à transmissão entre humanos, hipótese que, até o momento, não foi confirmada.

Dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) apontam que, desde 2024, foram registrados 71 casos humanos da doença e duas mortes, sem evidências de transmissão comunitária sustentada.

Diante do risco potencial, vacinas específicas contra a cepa H5N1 já estão em desenvolvimento, uma vez que as formulações atualmente disponíveis não oferecem proteção adequada. No Brasil, o Instituto Butantan conduz estudos pré-clínicos de segurança para uma vacina voltada à nova cepa, como parte das estratégias de preparação diante de uma possível emergência sanitária.

Mpox

Considerado uma doença rara por décadas, o mpox teve, por muito tempo, circulação praticamente restrita a regiões específicas da África. Esse cenário mudou em 2022, quando a cepa clado IIb se espalhou rapidamente e passou a ser registrada em mais de 100 países.

A transmissão do vírus ocorre principalmente por contato físico próximo, frequentemente associado a relações sexuais. Desde 2024, autoridades de saúde têm observado um aumento expressivo de casos na África Central, região que também passou a confirmar infecções pela cepa clado I, considerada mais grave.

Atualmente, existe vacina disponível contra o mpox, mas não há tratamento específico definido para a doença. Especialistas avaliam que a evolução do vírus e sua capacidade de adaptação podem impor novos desafios à saúde pública ao longo de 2026.

Outras possíveis ameaças virais em 2026

Além dos três vírus apontados como prioritários por especialistas, outras doenças também podem representar desafios à saúde pública em 2026. Entre elas está a chikungunya, que voltou a apresentar números expressivos nos últimos anos.

Segundo a revista IFL Science, ao longo de 2025 a doença registrou mais de 445 mil casos suspeitos em todo o mundo, além de 155 mortes até o mês de setembro. No Brasil, os dados do Ministério da Saúde apontam 129 mil casos e 121 mortes no mesmo período.

O sarampo também voltou a preocupar autoridades sanitárias em diferentes países.

Especialistas alertam ainda para a possibilidade de avanço do HIV nos próximos anos, caso persistam os cortes em programas internacionais de cooperação em saúde, fundamentais para prevenção, diagnóstico e tratamento da infecção em países de baixa e média renda.

*Com informações do g1

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