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Saiba como funcionou o processo seletivo que levou o Flamengo a contratar Domènec Torrent

Por O Globo    Sábado, 1 de Agosto de 2020


Domènec Torrent foi oficialmente contratado para ser o novo técnico do Flamengo. O catalão de 58 anos foi anunciado pelo rubro-negro e pôs fim a um longo e inovador processo seletivo para escolher o substituto de Jorge Jesus.

“Oi, sou Domènec. Estou muito feliz por fazer parte desta grande nação. Vamos lutar para ganhar título. Nos vemos em breve. Muito obrigado!”, disse o novo treinador rubro-negro, em vídeo divulgado pelo clube.

Nascido em Santa Coloma de Farners, na província espanhola da Catalunha, Torrent tem apenas um trabalho como técnico principal — o New York City, que disputa a Major League Soccer, dos Estados Unidos. Ele conseguiu a melhor campanha do clube na história do torneio — foi líder da conferência leste e eliminado nas semifinais.

A maior credencial do espanhol é ter sido auxiliar de Pep Guardiola de 2008 a 2018, ajudando o treinador a formar a equipe do Barcelona que conquistou três títulos de Liga dos Campeões. Também esteve com Guardiola no Bayern de Munique e Manchester City.

O modelo utilizado para a contratação de Torrent inaugura uma mudança de postura por parte do Flamengo na busca por treinadores. Realizar um processo seletivo não é novidade no Brasil — Athletico e Bragantino contrataram seus comandantes utilizando este fórmula —, mas foi a primeira vez que o rubro-negro se portou como uma verdadeira empresa e impôs pré-requisitos básicos para selecionar os candidatos.

Domènec Torrent Foto: Reprodução
Domènec Torrent Foto: Reprodução

Primeiramente, foram estabelecidas características que o novo treinador deveria ter. A ideia era manter o perfil europeu com ideias semelhantes às de Jorge Jesus e não alguém que as modificassem por completo. A diretoria não queria correr o risco de ver o vitorioso trabalho do antecessor ser desmanchado. Também impôs condições sobre o que o clube pensa sobre filosofia de jogo, tática e tempo de contrato — o Flamengo não queria correr o risco de perder outro profissional em meio às competições, como foi com Jesus.

Dezenas de currículos

Não à toa, Torrent assinou até janeiro de 2022, justamente quando termina o mandato do presidente Rodolfo Landim. Ele e sua comissão vão receber 2,25 milhões de euros (cerca de R$ 13,7 milhões).

Requisitos prontos, foi a hora de buscar candidatos. E em como todo processo seletivo, dezenas de currículos chegaram até as mãos do vice-presidente de futebol, Marcos Braz, e do diretor executivo, Bruno Spindel, através do departamento de scout, indicados da alta cúpula de futebol e empresários que ofereceram seus clientes. Fazer esta peneira foi decisiva para definir a data da viagem dos dirigentes à Europa, o que só foi feito após uma série de reuniões estarem pré-agendadas.

Um dos que mais agradou foi o do português Leonardo Jardim, ex-Monaco, mas o desejo dele de permanecer na Europa fez o clube mudar o foco. O mesmo aconteceu com o também lusitano Marco Silva, ex-Everton e Watford. Outro nome forte na diretoria — e ligado à ala do vice-presidente de relações externa, Luiz Eduardo Baptista, o Bap — foi o do espanhol Miguel Ángel Rámirez, do Independiente del Valle. Houve uma conversa por videoconferência com ele, mas não passou disso.

Após este primeiro funil, dois nomes se tornaram favoritos à vaga: o do português Carlos Carvalhal, que tinha contrato encerrando com o Rio Ave, e o do espanhol Domènec Torrent, indicado pelo departamento de scout e ex-auxiliar de Pep Guardiola. Braz e Spindel conversaram com a dupla, respectivamente, no último sábado e domingo e ambos agradaram. Porém, Carvalhal citou os problemas da Covid-19 no Brasil como um dos motivos para não acertar com o rubro-negro e foi para o Braga, de Portugal.

Chegada prevista 

No meio do caminho, o Flamengo conversou com o espanhol Fernando Hierro, ex-jogador do Real Madrid e ex-técnico da Espanha na Copa do Mundo de 2018, e com o português José Peseiro, ex-Porto e Sporting, mas a conversa foi muito mais para estreitar relações. Braz e Spindel aproveitaram a oportunidade para conhecer melhor seus trabalhos, suas metodologias e ideias de jogo. Com isso, o caminho ficou livre para Torrent.

Inicialmente, a inexperiência de Torrent fez parte do Conselho do Flamengo não demonstrar confiança. Posteriormente, foram convencidos de que ele era o melhor nome.

Nos últimos dias, as conversas entre Torrent e Flamengo se intensificaram e o acerto só não aconteceu antes por questões burocráticas. O catalão quis entender melhor como funcionava a cobrança de impostos no Brasil, o que poderia refletir diretamente no seu salário.

Torrent chega ao Brasil no começo da manhã de segunda-feira e deve iniciar os treinos no clube já na terça.

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