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Chegada do homem à Lua há 50 anos mexeu com imaginário do paraibano

Por Jornal da Paraíba    Sábado, 20 de Julho de 2019


Se a possibilidade de o homem sair do planeta Terra e navegar pelo espaço até a Lua fascinou pessoas do mundo inteiro, não é difícil imaginar o estardalhaço que foi a notícia quando a chegou à Paraíba, há 50 anos. Naquela época, ter uma televisão em casa era artigo de luxo, então a maioria se deslumbrou com a aventura estelar dos astronautas americanos Neil Armstrong e Buzz Aldrin com ouvido coladinho no rádio, e quem tinha, claro.

Quem era mais das letras, correu para os jornais impressos para ver com os próprios olhos os registros fotográficos. Teve até quem se permitiu sonhar, sabendo como foi o feito através dos cordéis vendidos nas feiras. Também teve quem não gostou nadinha da novidade por achar que a missão era um afronta a Deus e a Igreja Católica.

Isto é o que lembra o historiador paraibano José Octávio. Ele conta que o recém chegado da Bahia arcebispo da Paraíba, Dom José Maria Pires, embora progressista em alguns temas, ficou bastante irritado e questionou mesmo se os Estados Unidos estavam mandando homens à Lua.

Bora contextualizar?

 

O fato histórico, com toque de ficção científica, aconteceu mesmo no dia 20 de julho de 1969, quando a equipe alunissou o módulo lunar Eagle. Na verdade, Armstrong se tornou o primeiro humano a pisar na superfície lunar seis horas depois já no dia 21, seguido por Aldrin que pisou em terra lunar vinte minutos depois.

Mas a viagem teve início mesmo cinco dias antes, quando a missão foi lançada por um foguete, o Saturno V, do Centro Espacial John F. Kennedy na Flórida no dia de 16 de julho. Aquela já era a quinta missão tripulada do Programa Apollo da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA), mas a primeira em que a equipe desceria em solo lunar.

A alunissagem foi transmitida ao vivo mundialmente pela televisão e rádio por toda a parte. Na volta para os Estados Unidos, os três astronautas foram recebidos com enormes celebrações, recebendo diversas condecorações e homenagens não apenas em seu país como também pelo mundo.

Tudo isso em meio à Guerra Fria, desencadeada pela vitória das Forças Aliadas contra o nazi-fascismo, em 1945, que havia trazido a dicotomia entre Estados Unidos e Rússia. Os russos já tinham lançado a cadela Laika numa viagem sem volta ao espaço, então o feito dos americanos causou tanta repercussão e assombro.

Os astronautas Neil Armstrong, Michel collins e Buzz Aldrin eram os tripulantes da histórica missão Apolo 11. Foto: divulgação/Nasa

Sem TV

 

O professor Rangel Júnior, atual reitor da Universidade Estadual da Paraíba, lembra que tinha apenas sete anos e morava em Juazeirinho, região da Borborema, em quando o homem chegou à Lua. Sem TV, muito menos rádio, que só entrou em sua casa em 1970, quando o pai conseguiu “um extra” de um trabalho de recenseamento, o menino disse que as imagens que viram recordações só vieram chegaram a ele dia depois, xeretando pela televisão de um vizinho que tinha o aparelho.

“Lembro da palha de aço nas antenas em cada antena, tenho isso muito viva na memória, e o espanto de ver aquilo acontecendo e a gente amontoado na janela, que dava para a sala das casas, para ver aquela cena”, rememora Rangel Junior.

Álbum de figurinhas

 

No pequeno mundo em que vivia o jornalista Waldir Porfírio, em Guarabira, no Agreste paraibano, não foi muito diferente. Também naquele momento com apenas 7 anos, o menino teve melhor sorte para acompanhar a aventura espacial. “Na rua que morava, José da Cunha Rego, em Guarabira, só existia uma televisão: era na casa de Tio João Porfírio. A meninada correu para assistir. Meu tio, quando viu a quantidade de meninos querendo ver aquele espetáculo, colocou a televisão na garagem e todos nós nos acomodamos no chão. O silêncio era sepulcral. Não tirávamos os olhos da televisão”, conta.

A ida do homem à Lua mexeu tanto com as crianças que eles quiseram colecionar tudo o que viam sobre o tema. “Acredito que seis meses depois lançaram um álbum de figurinhas com as fotos daquele monumental espetáculo. Foi uma febre e dores de cabeça para nossos pais. Todos queríamos o álbum e comprar cada vez mais os pacotes de figurinhas até preenchê-lo. Nunca vou esquecer esses momentos da minha infância”, lembra.

Lua em Cordel

 

Quem não tinha televisão nem rádio, aproveitou o cordel, que também testemunhou este momento. Mesmo com todas as licenças poéticas da Literatura de Cordel, há quem diga que muita gente só deixou de duvidar que era fake news depois de ler os livretinhos vendidos nas feiras e mercados populares.

A epopeia foi muito descrita, por exemplo, pelo cordelista José João dos Santos, o Mestre Azulão, paraibano radical no Rio de Janeiro. Em versos ele descreveu: “Foi um trio americano que primeiro teve a glória/ De fazer daqui da Lua uma via transitória,/ Que vai ficar para sempre na face A da história”.

Conquista americana em plena Guerra Fria foi acabou virando enredo de filmes de Hollywood. Foto: divulgação/Nasa

História de Cinema

 

“Deslumbramento. É a palavra mais apropriada para descrever a sensação que me ocorreu com a viagem do homem à Lua. Algo indescritível, até hoje, 50 anos depois. Aos 11 anos de idade, em Campina Grande, pude acompanhar pela televisão, com tamanha expectativa, as imagens dos primeiros astronautas a pisarem na lua”, também rememora o escritor paraibano Juca Pontes.

O episódio, recorda, que mexeu no imaginário do menino, perdurou na idade adulta, como manteve a curiosidade sobre o assunto, sobretudo através das narrativas hollywoodianas. “Ao rever esse fantástico feito, nas cenas do filme “Apollo 11”, me vi criança, mais uma vez, com meu grandioso sonho de chegar até aquele fascinante estrela. E percebi, também, o quanto foi desprovida de comodidade e segurança essa travessia no espaço. Ao decolar da base de lançamento da Nasa, no Cabo Kennedy, nos Estados Unidos, a espaçonave vibrava tanto que alguns dos seus parafusos caiam na plataforma de voo. Mas apesar desses pequenos contratempos, como bem revelaria o próprio Neil Armstrong, ‘foi um grande passo para a humanidade’”, relembra.

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